Sessão solene reconhece trajetórias no serviço social em Curitiba

“Eu não escolhi o serviço social, a profissão me escolheu.” A frase de Wanderly Machado traduz o sentimento de quem fez da profissão um compromisso de vida. Depois de 42 anos dedicados ao serviço social, ela fala sobre a trajetória com emoção, como quem reconhece que a profissão ultrapassa o trabalho e se transforma em missão cotidiana de defesa da dignidade humana e da justiça social.

Nesta sexta-feira (15/05), a Câmara Municipal de Curitiba foi palco de uma noite marcada pelo reconhecimento e pela emoção durante a sessão solene promovida pelo mandato de Vanda de Assis (PT). Além de Antônia Liliane Lima Rodrigues, Maria Valdevânia de Assis e Wanderly Machado, outras servidoras e servidores que atuam na política de assistência social também foram homenageados pela dedicação à população curitibana. Além deles, trabalhadores que atuam em outros locais, como movimentos sociais e ONGs, receberam a homenagem.

Ao lado de outras 52 profissionais, as três assistentes sociais celebraram uma trajetória construída no cuidado, na escuta e na luta diária pela garantia de direitos. Um trabalho que, muitas vezes, acontece nos momentos mais difíceis da vida das pessoas, quando o acolhimento, a orientação e a presença do serviço público fazem toda a diferença.

O serviço social está onde a desigualdade mais dói. Está no atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade, na proteção de crianças, mulheres e idosos, na defesa do acesso às políticas públicas e no olhar atento para quem, tantas vezes, é invisibilizado. Ser assistente social é compreender profundamente as raízes das injustiças sociais e, ao mesmo tempo, seguir acreditando na transformação da realidade por meio da escuta, do cuidado e da ação coletiva.

Antônia Liliane Lima Rodrigues atua no serviço público desde 2012 e destaca a importância de construir vínculos e garantir dignidade para a população atendida. “É um trabalho que exige sensibilidade todos os dias, porque lidamos com histórias muito complexas e, ao mesmo tempo, precisamos garantir direitos”, afirmou.

Maria Valdevânia de Assis, há 13 anos no serviço social, reforça que a profissão exige sensibilidade, pensamento crítico e compromisso permanente com as famílias que enfrentam as desigualdades sociais. “A gente aprende diariamente com as pessoas que atendemos. Não é uma via de mão única, é uma troca constante que nos transforma também”, disse.

As três também compartilham outro encontro que nasceu da profissão: a luta sindical. Foi nos espaços de organização coletiva, defesa do serviço público e mobilização em defesa dos direitos das servidoras e servidores que fortaleceram laços e caminharam juntas ao longo dos anos. Waldevânia deixou recentemente essa atuação mais próxima no município para assumir um novo desafio como servidora do Estado do Paraná, mas segue carregando a mesma essência de compromisso com o serviço público e com a população.

“A gente se encontra na profissão a partir do seu projeto de vida”, disse Wanderly. Para ela, a homenagem recebida não representa apenas um reconhecimento individual, mas o fortalecimento de toda uma categoria que segue resistindo e construindo caminhos para uma sociedade mais humana.

Mais do que celebrar trajetórias profissionais, a noite foi também um reconhecimento à importância das trabalhadoras e trabalhadores da assistência social para Curitiba. Profissionais que sustentam, diariamente, a esperança, o acolhimento e a defesa de direitos de milhares de pessoas. Porque ser assistente social é, acima de tudo, acreditar que toda vida merece cuidado, dignidade e humanidade.