Enfermeiros gritam: Chega de silêncio!

Cansados de serem esquecidos, trabalhadores da enfermagem organizam atos, manifestações e carta aberta.

Os trabalhadores da enfermagem estão se sentindo esquecidos pela Prefeitura. Por isso, mantiveram a assembleia de ontem aberta. A qualquer momento, eles podem convocar uma nova reunião da categoria para decidir os próximos passos. Por enquanto, organizam intensas mobilizações para o próximo mês. "Sem a enfermagem, a Saúde pára. São os únicos profissionais da área envolvidos em todos os serviços da gestão municipal de saúde", alerta Irene Rodrigues, coordenadora do Sismuc. Assim, a categoria deliberou que vai redigir uma carta aberta à população, acompanhada de nota para a imprensa.

A Prefeitura tem até o dia 16 de junho para se manifestar. Depois disso, os trabalhadores farão atos e manifestações para visibilizar ainda mais suas pautas e chamar a atenção dos usuários do sistema de saúde e da mídia. O silêncio da gestão será combatido com o som da categoria nas ruas. Chega de silêncio. Chega de ser esquecido. São tantas pendências que é difícil saber por onde iniciar a lista. Para começar, enfermeiras e enfermeiros não receberam a isonomia com médicos e dentistas na Estratégia de Saúde da Família (ESF), prometida em agosto do ano passado para ser implementada em janeiro de 2014.

Agora, praticamente seis meses depois do prazo dado pela própria gestão e três meses depois do Festival das Promessas não Cumpridas, reivindicam o compromisso firmado e não entregue. Ainda, para diminuir a desigualdade entre as categorias, seria preciso igualar os 50% do Incentivo de Desenvolvimento de Qualidade (IDQ) por participação em Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Outra pauta “esquecida” e que compromete a isonomia na Saúde é o adicional por risco de vida. Hoje, médicos e dentistas levam integralmente o adicional na aposentadoria, enquanto que enfermeiros têm apenas o proporcional ao tempo de serviço. Isso tudo sem contar o salário base em R$ 4500,00, reivindicação compartilhada por todas as categorias da base do Sismuc de nível superior.

Histórico de luta

Em setembro de 2011, o ex-prefeito Luciano Ducci lançou o famigerado “pacotinho”, que beneficiou apenas os médicos na Saúde. Ainda naquele ano, os cirurgiões dentistas realizaram uma greve muito eficaz em que exigiram isonomia na tabela de vencimentos básicos. Durante o movimento, os dentistas se mantiveram unidos e atentos. Combateram e venceram no judiciário os descontos em folha e outras punições. Também não aceitaram a “proposta final” da gestão, que era apenas um aumento de 20%. Afinal, obtiveram integralmente as conquistas.

Com os dentistas na rua, a vitória foi de todos os trabalhadores. O movimento fortaleceu uma extensa luta travada desde 2004, quando foi instituído o atual e pouco satisfatório Plano de Carreira dos servidores (Lei 11.000). Auxiliares e Técnicos de Saúde Bucal (ASBs e TSBs) e Auxiliares de Enfermagem também focaram sua luta na isonomia e, em abril de 2014, o executivo municipal apresentou a proposição que eleva o cargo de ASB do nível básico para o médio e que transforma o de Auxiliar de Enfermagem em Técnico.

Agora, os enfermeiros retomam a mobilização e dão continuidade ao movimento que fortalece a luta por salário digno, respeito e valorização.