Na semana passada, celebramos o Dia Mundial da Educação, por isso, vale destacarmos toda a luta travada pelos profissionais da rede pública em Curitiba, desde o final da década de 1980. Afinal, as professoras e os professores de educação infantil da rede municipal, atores fundamentais nesse processo pedagógico, possuem um histórico de muita resistência e luta por direitos em Curitiba. Desde o início, o SISMUC lado a lado destas trabalhadoras e trabalhadores, representando a categoria na busca por valorização de carreira.
Tudo começou ainda na década de 1980, mesmo período do “nascimento” do SISMUC, com o “Programa Creche”, cujo objetivo era apenas suprir as necessidades maternas. As profissionais contratadas eram chamadas de “babás” — ainda estavámos longe da nomenclatura de professoras de educação infantil e de todos os direitos que o magistério possui, como os dias de férias. Até 1998, era exigido somente o ensino fundamental como formação para os profissionais que atuavam no atendimento infantil.
Os anos 2000 foram importantes para a categoria e marcam o início do movimento por mudanças e melhorias na carreira. O período coincide com o ingresso de representantes da educação infantil na direção liberada do SISMUC. Em 2001, houve uma tentativa de privatização dos CMEIs. Na gestão do então prefeito Cássio Taniguchi, foi anunciado um projeto de terceirização de 13 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). A partir da mobilização das trabalhadoras, chamadas à época de auxiliares de desenvolvimento social, que conquistaram também o apoio da população, a proposição foi barrada na Câmara, garantindo-se a manutenção da educação pública para as crianças.
Em 2004 conquistamos concurso público para a área, dobrando o número do quadro de pessoal, pois passamos de mil para dois mil profissionais. Em 2005, tivemos a ampliação da participação dos profissionais da Educação Infantil na construção das novas diretrizes curriculares na Rede Municipal de Ensino de Curitiba. O SISMUC acompanhou e esteve à frente dessas conquistas, como a mudança de nomenclatura para educadores; a criação do plano de carreira dos educadores infantis; a incorporação da Educação Infantil na Secretaria Municipal da Educação; a abertura de turmas de Educação Infantil nas escolas; e a realização da Semana de Estudos Pedagógicos envolvendo todos os profissionais que atuam na Educação Infantil.
Porém, sabíamos que ainda não era o suficiente. Em 2007, organizamos a primeira greve dos educadores. Após paralisações, veio a garantia à hora-atividade e mais de 30% de ganho salarial.
Há mais de 10 ou 15 anos no cargo, estas servidoras e servidores que se dedicaram à educação infantil do município ainda não eram reconhecidos como professoras e professores, mesmo atuando como tal. Por isso, a deflagração de uma nova greve, em 2014, se fez necessária. A paralisação ocorreu após inúmeras tentativas do SISMUC em avançar nas condições de trabalho e na conquista de direitos. A Onda Amarela, como ficou conhecida, garantiu que a categoria tivesse seus direitos iguais aos concedidos ao magistério, com um novo plano de carreira justo e o reconhecimento do cargo de “professor de educação infantil”.
Infelizmente, poucos anos depois, em 2017, o SISMUC precisou mobilizar servidoras e servidores públicos contra a aprovação do Pacotaço, pacote de maldades do então prefeito Rafael Greca e secretário de finanças Vitor Puppi que congelou o plano de carreira, inclusive o da educação infantil. Isso refletiu em todos os aspectos da vida funcional — inclusive com defasagem salarial dos professores de educação infantil.
Em 2022, após a campanha do SISMUC “Toda Criança Merece o Melhor”, em que lutamos pelo pagamento e reajuste do piso salarial do magistério de 37,73%, professoras e professores de educação infantil da parte permanente receberam os que lhes era direito. Passamos mais dois anos negociando com a Prefeitura o reajuste do piso para a parte especial da carreira, que finalmente teve o direito reconhecido em 2024.
Cada passo dado até aqui, desde o tempo das “babás” até o reconhecimento do cargo de professoras de educação infantil, foi consolidado pela união da categoria, além da confiança no trabalho sindical realizado pelo SISMUC. A participação nas mesas de negociação com a Prefeitura, nos coletivos e nas mobilizações é o que garante que a educação infantil de Curitiba não dê nenhum passo atrás!







