Entre os dias 4 e 6 de junho, estivemos em São Paulo em mais um momento de formação política organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o 7ª Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+. O evento, que aconteceu na sede do Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo (APEOESP), teve como objetivo discutir maneiras de se combater a discriminação e de defender a igualdade de direitos, uma vez que elas fazem parte da luta por melhores condições de trabalho para todas e todos.
Para Fabiula Rizzardi, dirigente responsável pela pasta de Gênero e Direitos LGBTQIA+ do SISMUC, a luta deve estar associada ao trabalho sindical, uma vez que a garantia de ambientes de trabalho livres de discriminação e assédio é uma pauta permanente das entidades representativas. Nesse sentido, a participação do SISMUC em espaços de formação e mobilização fortalece o compromisso do sindicato com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, onde todas as pessoas tenham seus direitos respeitados e possam viver com dignidade, independentemente de sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero.
Não à toa, a Confetam lançou a cartilha “Serviço Público com Orgulho“, que traz a importância da formação sindical como instrumento para ampliar a participação da população LGBTQIA+ em espaços de direção e tomada de decisão dentro das entidades sindicais.
Exclusão faz mal também à economia do país
Foi apresentada, durante o encontro, uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes, que evidencia os problemas econômicos causados pela discriminação de gênero e orientação sexual no mercado de trabalho. Os dados mostram que a exclusão da população LGBTQIA+ em empregos formais custa ao Brasil cerca de R$ 94,4 bilhões por ano. Isso porque, a taxa de desemprego entre pessoas LGBT+ é de 15,2% contra 7,7% da média nacional. Além d
isso, a informalidade atinge 46% desse grupo.
Quando falamos da presença de pessoas LGBTQIA+ no serviço público municipal de Curitiba, infelizmente não temos a divulgação de dados relacionados ao número de servidores e servidoras que se identificam como parte dessa população. A Prefeitura não disponibiliza qualquer tipo de levantamento ou informação oficial com o número exato desses profissionais em seu quadro funcional, o que acaba dificultando a formulação de políticas efetivas de inclusão, acolhimento e combate à discriminação.
Fabiula ressalta também que o encontro foi uma oportunidade de aprofundar o debate sobre as demandas da comunidade, conhecer experiências desenvolvidas em outras cidades e estados, além de fortalecer a organização da classe trabalhadora na defesa dos direitos humanos. “Precisamos avançar na construção de políticas públicas que combatam a violência, promovam a inclusão e assegurem o acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à cidadania para toda a população LGBTQIA+.”
Marcha Nacional LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora e Parada do Orgulho LGBT
Na sexta-feira (5), a programação do evento contou com a 2ª Marcha Nacional LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora, organizada pela própria CUT e que aconteceu no Centro de São Paulo. Além das atividades culturais, a mobilização também se destacou pela reivindicação de condições de trabalho dignas para a classe trabalhadora LGBTQIA+. Entre as principais pautas defendidas estiveram o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o combate à LGBTQIA+fobia nos ambientes de trabalho e a defesa do trabalho decente para todas as pessoas.
No domingo, a direção do SISMUC marcou presença na Parada do Orgulho LGBTQIA+, considerada a maior do mundo e reúne anualmente milhões de pessoas que lutam por representatividade, participação democrática e a busca por direitos, respeito e inclusão.
Luara Nefeli, professora de educação infantil em Curitiba, esteve nas atividades do fim de semana e reforçou que o contato com representantes da classe trabalhadora de vários estados trouxe reflexões importantes sobre as tentativas de exclusão que ainda enfrentamos. Ela pontuou também a lamentável diminuição de investimentos na Parada do Orgulho deste ano, uma consequência do impulsionamento de visões conservadoras. “Mesmo com a perda de mais de 60% dos patrocinadores da Parada LGBTQIA+, a força da classe trabalhadora se fez presente. Nos 30 anos da Parada, reafirmamos que quando a rua fala, a urna confirma. Seguimos resistindo, ocupando espaços e mostrando que nossas vozes continuam vivas e não serão silenciadas.”
















