Nos dias 31 de julho e 1º de agosto, o SISMUC esteve em São Paulo para o Congresso Desigualdes Raciais e Tecnologias Digitais, que aconteceu na Faculdade de Saúde Pública da USP. O evento teve como objetivo discutir como o racismo opera e se relaciona em um cenário onde a inteligência artificial e as novas tecnologias estão dominando diferentes frentes, como a saúde, o mercado de trabalho, o sistema judiciário e a segurança pública.
Dermeval da Silva, coordenador da Secretaria de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do SISMUC, participou do Congresso e afirma que ouvir os profissionais no assunto, tanto os jovens brasileiros, quanto aqueles de outros países, como Yonas Difer, cientista da computação da Etiópia e Onica Makwakwa, especialista em Inclusão Digital e Igualdade de Gênero da África do Sul, o fez ampliar a sua visão a respeito da necessidade de trazermos o debate sobre o tema para a classe trabalhadora.
“O produto mais caro para as grandes e bilionárias empresas de tecnologias somos nós, povo negro. Eles usam nossos rostos, nossa identidade, se apropriam disso e depois vendem essas informações para governos”, declara Dermeval. Para ele, essa prática segue alimentando sistemas que servem para vigiar, criminalizar e excluir a população negra. Os exemplos são muitos: quando cria-se plataformas de recrutamento e seleção de candidatos que analisam fotos e exclui-se perfis a partir de critérios discriminatórios ou quando câmeras de espaços públicos funcionam para o monitoramento de possíveis suspeitos, mas utiliza-se determinados padrões para essa identificação. A inteligência artificial não é neutra, ela reproduz o racismo estrutural, afinal, ela é construída por pessoas que fazem parte dessa estrutura racista.
Como mudar isso? Foi o questionamento trazido pelo Congresso. A partir da aproximação do tema para o dia a dia das pessoas. Falar sobre tecnologia parece distante, mas é possível trazer o assunto de forma didática. Não podemos fugir do diálogo, pois ele já está afetando a vida de negros e negras, então é fundamental debatermos no espaço acadêmico, mas também nas escolas e em nossos espaços de convivência.








