O SISMUC manifesta indignação e repúdio diante dos novos episódios de violência contra professoras da educação infantil. Esta semana, uma professora da regional Cajuru sofreu agressão física por parte de um familiar de criança atendida no CMEI. Assim que recebeu a denúncia, a direção do Sindicato acionou imediatamente o Núcleo da Regional Cajuru para cobrar as medidas legais necessárias, bem como solicitar a presença fixa da Guarda Municipal neste equipamento.
Esses episódios expõem uma realidade que vem se agravando nos últimos meses. Servidores públicos têm sido alvo de ameaças, agressões físicas e situações de desrespeito durante o exercício do trabalho. E a violência não se restringe a apenas um segmento: são trabalhadores da educação, da saúde, da assistência social e da fiscalização que têm enfrentado situações semelhantes em CMEIs e escolas.
O aumento das ocorrências revela que não se trata de situações pontuais, elas fazem parte da violência institucional cometida pela Prefeitura de Curitiba. Servidoras e servidores trabalham em condições de sobrecarga, com falta de equipes, não cumprimento de hora-atividade, falta de profissionais de apoio para atendimentos as crianças com deficiência e estruturas inadequadas. Esse é um problema estrutural que precisa ser enfrentado pelo poder público. O SISMUC tem acompanhado, denunciado e cobrado providências diante desses casos, porque garantir a segurança de quem trabalha no serviço público é também responsabilidade da gestão municipal, assim como a criação de um protocolo de atendimento direto em situações de violências contra os servidores.
Ainda neste mês de setembro, servidoras da saúde também registraram casos de violência provocadas por usuários do serviço. Entre as ocorrências estão o caso de uma servidora de unidade básica de saúde da Regional Bairro Novo e outros dois episódios registrados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), no Boqueirão e no Sítio Cercado.
Para o SISMUC, a violência contra servidores vai além do momento da agressão: ela também se manifesta quando faltam equipes completas, estrutura, apoio e condições dignas de trabalho, colocando os trabalhadores em vulnerabilidade e configurando a chamada violência institucional. Isso não exime quem agride – quem ameaça ou agride um servidor deve responder por seus atos. Mas a Prefeitura também precisa assumir sua responsabilidade na prevenção, e não é aceitável que espere uma nova ocorrência para agir.
Os servidores não podem trabalhar com medo. Quem está na linha de frente do atendimento à população precisa ter a certeza de que também estará protegido durante o exercício de sua função.
A violência deixa marcas
As consequências dessas situações não terminam quando a ocorrência é encerrada. Ameaças e agressões podem provocar impactos na saúde física e emocional dos trabalhadores, além de medo, insegurança e sofrimento. Depois de uma situação de violência, muitos servidores precisam retornar ao mesmo ambiente de trabalho carregando o receio de que aquilo volte a acontecer.
Nesse sentido, o SISMUC orienta os servidores vítimas de violência a registrar a ocorrência no CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e também a realizar o Boletim de Ocorrência (B.O.). A formalização é importante para documentar os casos, dar visibilidade à dimensão do problema e fortalecer a cobrança por providências.
O SISMUC segue ao lado dos servidores, denunciando a violência, cobrando respostas concretas da Prefeitura e defendendo que quem cuida da cidade também precisa ser cuidado e protegido. Sem respeito e segurança para os trabalhadores, não há serviço público de qualidade.











