Foram várias frases, ditas por educadores sociais que de fato
querem valorização para aquilo que fazem melhor: estar em contato com o ser
humano, em situações difíceis:
“Educação social é a parte social da educação, por tratar da
formação das pessoas”, afirma Verônica Mueller, professora da Universidade
Estadual de Maringá (UEM) e presidente dos educadores sociais de Maringá.
Em pauta na audiência pública de hoje (16), a necessidade de
regulamentação da profissão de educador social, e a relação disso com o grau de
formação do segmento. O espaço foi organizado pela Comissão de Direitos Humanos
da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), coordenada pelo deputado Tadeu
Veneri.
Hoje, há uma diversidade grande no perfil do trabalhador nos
estados, que vai desde educadores com nível médio de formação até especialistas
em diferentes áreas – o que gera diferentes concursos para ingresso no
funcionalismo público.
Com o plenarinho Alep cheio, perto de 150 educadores sociais
estavam presentes e se pronunciaram. Eles vieram de Florianópolis, Maringá, Rio
de Janeiro e dos diferentes equipamentos da Fundação de Ação Social (FAS) em
Curitiba.
Irene Farias de Lima é uma delas, que realiza cadastramento
da terceira idade. Ela lamenta que “vou me aposentar e ainda não vi a
regulamentação”. É preciso, na voz dessa mulher, uma valorização devido ao trabalho
e ao tempo de estudo:
“Trabalhamos por amor, às vezes mais de oito horas, mas meu
estudo não foi valorizado, o que é frustrante”, lamenta.
Já Sintia Eugênia Roza Vieira, educadora social há doze anos,
opina que este debate é fundamental em Curitiba, capital com grande número de
trabalhadores neste segmento.
Na ótica de Casturina Berquó, servidora pública municipal e
diretora do Sismuc, é preciso também valorizar a prática e a experiência
acumulada de tantos educadores sociais ao longo dos anos, valorizando também esses
saberes.
Dois projetos tramitam neste momento
Um deles, (nº 5643/2009) na Câmara dos Deputados, de autoria
do deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) que, desde 2009, sofreu alterações. Outro
projeto está no Senado, de autoria de Telmário Mota (PDT) (PLS 328/2015). O
ideal dos educadores é conseguir unificar as iniciativas.
Avaliação da audiência
Na avaliação do educador social José Pucci Neto, a audiência
gerou a mobilização necessária para debater o papel do educador na sociedade, “como
defensor de direitos humanos e civis, transformando para o bem comum”, afirma.
Como apontamento, de acordo com Neto, será montada na Câmara
Federal a formação de uma comissão de Educação aberta, chamando entidades
representativas de todo o país para debater a possibilidade de cursos superiores,
de técnico ou tecnólogo para educador social.







