Em negociação com gestão municipal, SISMUC cobra concurso, combate ao assédio e condições de trabalho no IPPUC

Na tarde de hoje (25/08), o SISMUC esteve em mesa de negociação com a Secretaria de Gestão de Pessoal (SMGP) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), tratando da pauta específica das servidoras e dos servidores que atuam no Instituto.

O primeiro ponto discutido foi a realização de concurso público para todas as carreiras do IPPUC. A exemplo do cargo de arquiteto, o último concurso público foi realizado em 2019. Desde então, há uma defasagem para todos os cargos. Segundo a SMGP, em janeiro de 2025, foi solicitado um levantamento da necessidade de pessoal por secretaria. Com base nisso, nesse primeiro momento, “foi autorizado um concurso para dez áreas administrativas, sendo elas, agente administrativo, analista administrativo, analista de finanças, assistente social, auditor fiscal de tributos municipais, contador, engenheiro civil, fiscal, fiscal de obras e posturas e procurador do município”.

“O concurso público é um avanço, mas não resolve os problemas do IPPUC, porque não contempla as áreas que hoje enfrentam déficit de pessoal”, apontou Franciele Solewski, diretora do SISMUC. O Sindicato destacou que é urgente a contratação para diferentes cargos, incluindo arquitetos, e defendeu que a SMGP reconsidere a listagem apresentada no ano passado e a encaminhe ao Conselho Gestor. “Continuaremos reivindicando concurso público para todas as carreiras do IPPUC e pedimos que a SMGP reveja essa questão ainda neste semestre”, reforçou o Alessandra de Oliveira, diretora sindical.

Além da questão do quadro de pessoal, a direção do SISMUC também apontou a necessidade de criação de um programa permanente de prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual no IPPUC. Durante a negociação, o Sindicato relatou que trabalhadores têm enfrentado situações recorrentes de assédio moral, em um ambiente marcado por pressão por resultados, recursos e também por questões políticas.

“O assédio moral está institucionalizado dentro do IPPUC. Existe uma pressão constante. Hoje, é preciso chegar a um caso extremo para que a situação avance. Os profissionais têm medo, inclusive de sofrer punições. É preciso melhorar o fluxo de denúncias, criar mecanismos para que os casos cheguem às chefias e desenvolver um trabalho permanente de prevenção e enfrentamento ao assédio”, afirmou Bruna Griguol, trabalhadora do IPPUC, base do SISMUC.

Alessandra de Oliveira, diretora do SISMUC, apontou a importância da criação do programa e da orientação aos profissionais sobre onde podem buscar ajuda, como, por exemplo, na própria saúde ocupacional. “É importante acolher e orientar a vítima, mas é preciso resolver o foco do assédio, que muitas vezes vem da própria chefia.” Ela acrescentou que é necessário garantir que as denúncias tenham encaminhamento. “Ao receber uma denúncia de assédio, é preciso reportar à saúde ocupacional.” Como deliberação, o Instituto afirmou que irá criar o programa. O SISMUC reiterou a importância da participação do Sindicato nesse debate e informou que enviará um ofício para solicitar uma negociação direta com a diretoria.

A valorização salarial, com revisão salarial em conformidade com o nível da carreira e com parâmetro no mercado de trabalho, também foi apontada pelo Sindicato. A gestão respondeu que há uma equipe trabalhando e estudando a revisão dos Planos e Cargos e Carreiras e que pretende avançar em todos os cargos. “Temos que pensar no futuro, em forma de reter os profissionais. É com esse olhar que vamos trabalhar nisso”, afirmou a SMGP.

Outra pauta apresentada foi a criação de espaços coletivos para debater projetos, ideias e intenções, potencializando a motivação e a melhoria no processo de trabalho. De acordo com o IPPUC, foram desenvolvidas iniciativas para promover integração, compartilhamento de conhecimento e transparência institucional entre seus servidores. Porém, após questionamento do SISMUC, que ressaltou que o pedido diz respeito ao fluxo de comunicação interna, a SMGP explicou que o IMAP está trabalhando na reorganização dos processos de trabalho e na melhoria da divulgação dos projetos desenvolvidos no Instituto.

O SISMUC também reivindicou o respeito à carga horária dos profissionais e a regulamentação do pagamento das horas excedentes. “Hoje existe uma carga imensa de trabalho para os profissionais, justamente pela falta de pessoal. Porém, é preciso avançar e garantir o pagamento de horas extras para quem ultrapassar seu horário de trabalho”, afirmou Alessandra.

O Sindicato destacou que o próprio IPPUC reconhece a legislação sobre a jornada de trabalho e, portanto, as horas excedentes devem ser remuneradas. O SISMUC também relacionou a falta de pagamento das horas extras às situações de assédio moral e solicitou que a sobrecarga e a pressão pelo excesso de trabalho sejam incluídas nas ações e palestras de prevenção e enfrentamento ao assédio moral.

As condições de trabalho também foram discutidas durante a negociação, com reivindicações relacionadas à ergonomia, ao conforto térmico e à necessidade de adequações e reformas estruturais para garantir a saúde dos trabalhadores. O SISMUC defendeu que sejam avaliadas as condições dos espaços utilizados pelos servidores e adotadas medidas para corrigir problemas que afetam o ambiente de trabalho.

Durante a discussão, Bruna relatou problemas estruturais e ambientais enfrentados no dia a dia. “O IPPUC parece lindo, mas os problemas são históricos. No inverno é gelado e, no verão, alguns ambientes ficam muito quentes. Tem cupim, mofo, traça, chove dentro e tivemos uma infestação muito grande de pombos, que chegam a entrar nos setores e até nas mesas dos servidores. Os prédios não foram pensados para serem escritórios”, relatou.

Sobre isso, a SMGP afirmou que essas questões devem ser apontadas pelo Agentes de Segurança Local (Agesel). Já o IPPUC relatou que estão sendo executadas medidas para melhorar as condições de trabalho dos profissionais e que há a Portaria nº 4/2026, instituindo um grupo de trabalho para elaboração do Plano Diretor de Ocupação do Instituto, “iniciativa que busca identificar e priorizar as intervenções necessárias”. Kéfera Monte Serrat, diretora do SISMUC, afirmou que “o Sindicato irá solicitar uma reunião com o IPPUC e a saúde ocupacional para discutir as questões”.

A garantia de educação continuada, formação e capacitação também foi outro ponto da pauta. “A gente sabe que o IPPUC faz, inclusive a liberação de mestrado e doutorado. A única questão é que precisa haver mais capacitações para o trabalho que irá executar”, explicou Bruna. De acordo com a gestão, essa demanda deveria ser levantada pelo IMAP, porém o próprio representante do IPPUC ressaltou que, desde 2022, eles não checaram a demanda.

Segundo Alessandra, é necessário ouvir os trabalhadores para identificar quais cursos e capacitações são mais adequados às necessidades de cada cargo. “Queremos que a SMGP cobre o IMAP e inclua essa demanda por cursos específicos para os profissionais do IPPUC.”

O IPPUC afirmou que já realizou diversos cursos, inclusive em parceria com a PUC e instituições internacionais. O SISMUC, porém, apontou que os servidores nem sempre têm conhecimento das capacitações disponíveis, além de encontrarem dificuldades para acessar as informações e realizar as inscrições. “A oferta precisa ser destinada a todos os servidores do IPPUC. Não pode ficar restrita”, reforçou o Sindicato.

O SISMUC segue acompanhando as demandas dos trabalhadores e reivindicando avanços nas pautas apresentadas, na defesa de melhores condições de trabalho, valorização profissional e garantia de direitos para as servidoras e os servidores que atuam no IPPUC.

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