SISMUC participa do SUBRAC Brasil 2026; evento reuniu sindicatos para construção de um plano de ação conjunto entre entidades

Entre os dias 4 e 7 de agosto, o SISMUC participou do SUBRAC Brasil 2026 — Comitê Consultivo Sub-regional da Internacional de Serviços Públicos (ISP), evento realizado em Fortaleza e que reuniu sindicatos, centrais sindicais, federações e entidades representativas para debater a importância da organização sindical diante das transformações econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e políticas que afetam diretamente os trabalhadores e a população.

A negociação coletiva no setor público esteve entre os principais eixos do encontro, com debates sobre as Convenções nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre os encaminhamentos esteve a mobilização em defesa da regulamentação da negociação coletiva no setor público, incluindo a defesa do PL 1893/2026, conforme as deliberações apresentadas no encontro. Também foi destacada a importância da unidade sindical, diante de iniciativas que possam fragilizar a representação coletiva dos trabalhadores.como a regulamentação das associações.

Outro ponto de debate foi a Convenção nº 190 da OIT, que reconhece a necessidade de proteger trabalhadoras e trabalhadores de situações de assédio moral e violência sexual em seus ambientes de trabalho. 

Meio ambiente, emergência climática e racismo ambiental

O meio ambiente ocupou um espaço estratégico nas discussões do SUBRAC. Para Adriana Kalckmann, dirigente liberada do SISMUC, mais do que uma pauta específica, a questão ambiental deve ser considerada como um ponto de diálogo que passa pela agenda do serviço público. “A emergência climática já produz impactos concretos sobre as cidades, os territórios, os serviços públicos e as condições de vida e trabalho. Enchentes, secas, ondas de calor e outros desastres ambientais atingem de maneira desigual diferentes parcelas da população e exigem políticas públicas capazes de prevenir riscos e proteger as comunidades”, afirma.

No evento, também se destacou o racismo ambiental, reforçando que os impactos das mudanças climáticas recaem de maneira mais forte sobre as populações negras, periféricas, comunidades tradicionais e grupos vulneráveis. Neste cenário, o movimento sindical tem papel fundamental na defesa de que as mudanças necessárias para enfrentar a crise ambiental não sejam realizadas às custas da perda de direitos.

Recentemente, o SISMUC esteve em um seminário da ISP que discutiu a “Crise Climática, Serviços Públicos e Trabalho Seguro”.



Comitê de combate ao racismo, xenofobia e todas as formas conexas de discriminação e intolerância da ISP

O encontro também debateu os direitos das mulheres, das juventudes, da população LGBTQIA+ e formas de enfrentamento ao racismo e à xenofobia. A organização da SUBRAC Brasil 2026 manifestou repúdio ao ato de xenofobia sofrido pela vereadora Vanda de Assis, ocorrido na semana passada, dentro da Câmara Municipal de Curitiba. A manifestação reforçou que práticas xenofóbicas, racistas e discriminatórias não podem ser naturalizadas ou toleradas, seja nos espaços políticos, sindicais, institucionais ou na sociedade.

O Comitê de combate ao racismo da ISP trouxe para o centro da roda a preocupação sobre a baixa representatividade dos trabalhadores negros nas entidades sindicais, bem como nos espaços políticos, pois ainda temos um número baixo de negros e negras eleitos em cargos eletivos. Outros desafios incluem a dificuldade de financiamento das agendas antirracistas, a necessidade de dar visibilidade às demandas da população com 60 anos ou mais, a necessidade de ampliar a participação de indígenas e outros grupos étnico-raciais e  a necessidade de valorizar militantes e dirigentes que podem atuar como formadores.

Angelis Lopes, professora de educação infantil e integrante da direção do SISMUC, expõe o planejamento para o próximo ano, deliberados no evento. “Precisamos promover formação sobre a história das lutas e resistências negras, lideranças, legislação e agendas temáticas. Também devemos criar formação de formadores,  compartilhar materiais e experiências entre as entidades e criar um banco de talentos com dirigentes, estudiosos e técnicos. Outra ideia é organizar um calendário anual de ações.”

A soberania digital e os impactos da inteligência artificial também estiveram presentes nas discussões. O avanço tecnológico exige que o movimento sindical acompanhe as transformações no mundo do trabalho, defendendo a proteção dos trabalhadores, a transparência no uso das tecnologias e a preservação de dados públicos e sensíveis.

A soberania tecnológica também foi relacionada à defesa do interesse público, para que dados dos cidadãos e informações estratégicas do Estado não fiquem submetidos exclusivamente aos interesses de monopólios tecnológicos privados. O assunto também esbarra no que foi discutido no Congresso Desigualdes Raciais e Tecnologias Digitais, em que a direção do SISMUC esteve presente no início deste mês. 

Para além de avaliarmos sobre como a inteligência artificial pode impactar as relações de trabalho, é fundamental entender como o racismo opera e se relaciona neste mundo onde a inteligência artificial e as novas tecnologias estão dominando diferentes frentes. 

Mulheres trabalhadoras: organização e luta contra a violência e o assédio

O Comitê de Mulheres da ISP tem uma trajetória de cerca de 20 anos na defesa dos direitos das mulheres e na luta pela ratificação da Convenção 190 da OIT, instrumento fundamental para garantir ambientes de trabalho livres de violência e assédio. Com a assinatura da Convenção pelo Governo Federal e seu encaminhamento ao Congresso Nacional, o Comitê intensificou a mobilização junto aos parlamentares, fortalecendo a pressão pela sua aprovação e implementação. Para Edicleia Farias, dirigente do SISMUC que compõe a Secretaria de Mulheres da entidade, essa luta se articula às políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e à Política Nacional de Cuidados, reafirmando que a proteção das mulheres deve ser uma responsabilidade do Estado e uma prioridade da sociedade.

Para o SISMUC, ocupar esse espaço é fortalecer a luta das servidoras públicas. Em Curitiba, cerca de 80% da categoria é composta por mulheres. Em pesquisa realizada pelo Sindicato revelou-se que aproximadamente 80% das participantes já vivenciaram algum tipo de violência, especialmente assédio no ambiente de trabalho. “Não haverá trabalho digno, democracia e justiça social enquanto as mulheres estiverem expostas à violência, ao assédio e à precarização”, afirma Edicleia.

Por isso, defendemos a Convenção 190, a ampliação das políticas públicas de proteção e cuidado e o fortalecimento da organização das mulheres nos sindicatos, articulando a luta municipal, estadual, nacional e internacional pela garantia de direitos, autonomia, segurança e dignidade para todas as trabalhadoras.

Comunicação sindical e juventude

O fortalecimento da comunicação sindical também foi apontado como prioridade, especialmente diante das transformações tecnológicas e da necessidade de ampliar o diálogo com as novas gerações. A atualização das ferramentas de comunicação das federações e entidades parceiras da ISP deve contribuir para aproximar a juventude do movimento sindical, ampliar a circulação de informações e fortalecer a mobilização em defesa dos direitos sociais e trabalhistas.

Plano de Trabalho 2027

Por fim, o grupo estudou maneiras de se construir o Plano de Trabalho para 2027, com reuniões dos comitês temáticos e definição de estratégias para fortalecer a atuação conjunta das entidades filiadas e parceiras da ISP. Para além do fortalecimento da comunicação sindical e a aproximação da juventude, ficaram entre os encaminhamentos a ampliação da articulação entre diferentes setores do funcionalismo e a construção de uma agenda comum de mobilização, com calendários conjuntos de ações em defesa da valorização dos servidores, das revisões salariais e de mecanismos permanentes de negociação e conciliação.

O SUBRAC Brasil 2026 mostrou que defender os serviços públicos é também defender a vida, os direitos sociais, o meio ambiente e um futuro com mais justiça. O desafio colocado para 2027 é transformar esses debates em organização, mobilização e políticas concretas, fortalecendo a unidade sindical e a capacidade de intervenção dos trabalhadores na construção de uma sociedade mais justa, democrática, inclusiva e ambientalmente sustentável.