Na noite desta quarta-feira (01/04), servidores públicos municipais de Curitiba aprovaram, em assembleia geral, o indicativo de greve a partir de 8 de abril, atribuindo a decisão ao acúmulo de insatisfações com a gestão Eduardo Pimentel (PSD) e ao descumprimento de compromissos assumidos com a categoria em diferentes mesas de negociação, além da avaliação de que há falta de garantia de orçamento para valorização dos serviços e dos servidores públicos, enquanto a administração prioriza investimentos em outras áreas e articulações políticas vinculadas a aliados.
O espaço deliberativo, marcado pela presença massiva dos servidores, foi marcado por críticas à ausência de avanços nas reivindicações apresentadas nos últimos meses. Segundo os relatos da assembleia, há percepção de estagnação nas tratativas e de insuficiência das respostas apresentadas pelo Executivo municipal.
A categoria, que está em estado de greve desde novembro de 2025, aprovou o indicativo de greve e definiu a data de início da paralisação como forma de pressão para a retomada de negociações e para o atendimento das pautas acumuladas. Entre os principais pontos reivindicados estão:
– Fim do desconto previdenciário de 14% para aposentadas e aposentados
– Extensão do auxílio-alimentação para todas as servidoras e servidores
– Restabelecimento da data-base no mês de março de cada ano
– Pagamento retroativo integral do descongelamento do tempo de serviço durante a pandemia, conforme legislação federal citada pela categoria, com efeitos desde 2020
– Reestruturação dos planos de carreira para ampliação de vagas e garantia de crescimento universal
– Condições de trabalho adequadas para preservação da saúde dos servidores municipais
– Realização de novos concursos públicos em áreas com déficit de pessoal
– Fim das terceirizações
– Implementação de programa permanente de enfrentamento ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.
“Esses pontos afetam todos os servidores de Curitiba, de todas as áreas, de toda esfera administrativa. Essas pautas nos unem enquanto servidores e se solucionados, podem melhorar a vida de milhares de trabalhadores”, destacou Juliana MIldemberg, coordenadora do SISMUC.
Uma das servidoras presentes também fez críticas à forma como a gestão municipal conduz as negociações e o tratamento das pautas da categoria. Segundo ela, há uma estratégia recorrente de esvaziamento das reivindicações. “A gestão ‘é malandra, usa dos servidores e coloca panos quentes nas pautas’”, relatou durante a assembleia.
Alessandra de Oliveira, dirigente do SISMUC e servidora pública acrescentou que, apesar de possíveis impactos salariais em processos de mobilização, o foco deve estar na consolidação de conquistas permanentes. “Pode ter desconto no salário, pode. Mas isso se transformará em conquista se lutarmos”, afirmou.
Além das pautas comuns, outras foram listadas pelos servidores durante a assembleia. São elas:
– Cumprimento integral da hora atividade de 33%
– Implementação do piso nacional do magistério no vencimento base
– Valorização dos servidores com carreiras extintas
– Cumprimento de todos os itens das 14 pautas entregues à gestão
– Retorno da licença-prêmio para todos os servidores que entraram depois de 2019 na Prefeitura
– Fim da violência contra os servidores públicos
– Consulta pública para direção de CMEI.
– Tutores especializados nas unidades educacionais, com capacitação, para o atendimento das crianças com deficiência.
– Extinção do cargo de agentes educacionais
– Gratificação de 50% para servidores que atuam nas escolas especiais
– CMEIs ter 100% de professores de educação infantil com 40 horas
– Inclusão verdadeira das crianças com deficiência, neurodivergentes e com altas habilidades.
– Garantir condições de trabalho, saúde e segurança para os trabalhadores da assistência social.
E agora?
Foi deliberado o comando de greve, composto por mais de 30 servidores de diferentes categorias.
Os locais de trabalho seguirão mobilizados e em diálogo com a população, que esteve presente na assembleia em apoio aos servidores.
Até o dia 8, estão previstas ações de mobilização em toda a cidade.
Os servidores permanecem em assembleia permanente.
Caso a gestão municipal não queira a deflagração da greve, deverá, de forma imediata, abrir negociação efetiva com a categoria e atender às demandas apresentadas.


