A militarização das escolas públicas tem sido foco de grande polêmica na Câmara Municipal de Curitiba e na sociedade. Apresentada pelo bloco dos partidos UNIÃO e Novo como solução rápida para problemas como indisciplina e baixos índices de aprendizagem, cria uma narrativa de que todo o problema é causado dentro do ambiente escolar.
No entanto, esse Projeto de Lei precisa ser analisado de forma crítica, sobretudo quando se observa o papel da educação e a destinação das verbas públicas. O ambiente escolar deve ser um espaço de construção do pensamento crítico, do diálogo, da diversidade e da autonomia. Já as instituições militares atuam sob princípios como hierarquia e disciplina. São papéis distintos, com formações e objetivos diferentes.
Quando a lógica militar é levada para o ambiente escolar, corre-se o risco de substituir práticas pedagógicas baseadas na escuta e na mediação por mecanismos de controle e punição. A disciplina imposta pelo medo pode até produzir silêncio, mas impede a aprendizagem significativa e a formação cidadã.
Educação exige vínculo, formação pedagógica sólida e investimento contínuo em professores, profissionais da educação e estrutura adequada.
Outro ponto central da crítica é a utilização das verbas da educação para custear salários de militares dentro das escolas. Em um cenário de carência de recursos, falta de valorização docente e infraestrutura precária, redirecionar recursos educacionais para pagamento de profissionais que não possuem formação específica na área pedagógica representa um desvio de prioridade. Investimentos que poderiam fortalecer projetos pedagógicos, formação continuada de professores e melhoria das condições de ensino acabam sendo utilizados por uma política que não ataca as causas estruturais dos problemas educacionais.
Problemas como violência e evasão escolar exigem políticas públicas. A presença militar pode transmitir uma sensação imediata de ordem, mas não substitui o trabalho pedagógico construído por educadores. Defender a educação pública de qualidade é reafirmar que o papel da escola é educar, e o papel das forças armadas é defender o país.
O debate sobre militarização precisa, portanto, ir além da aparência de disciplina e enfrentar a questão central: a escola deve ser um espaço de emancipação, não de adestramento.
Por: Adriana Kalckmann – Secretária de Políticas Sindicais e Relações de Trabalho no SISMUC e professora de educação infantil em Curitiba.


