O lugar dos fiscais na luta de classes

Ser um dos participantes do curso de Formação Sindical oferecido pelo Sismuc para mim, Odilon, é questão de muito orgulho. Por meio dele conheço novos companheiros servidores da PMC e suas lutas nos locais de trabalho, repudiando o modelo imposto pelas últimas administrações. Estudamos a evolução dos meios de produção e o surgimento do capitalismo, o qual provocou uma histórica luta de classes entre patrões e trabalhadores. 


Em 1848 dois grandes estudiosos K. Marx e Engels ganharam importância no cenário mundial ao destacarem a diferença de interesses entre essas duas classes sociais em sua obra “O manifesto do Partido Comunista”. 
Também o curso nos possibilitou conhecer o assentamento do MST, chamado Contestado, na Lapa, onde abriga cerca de trezentas famílias, onde todos dividem o trabalho diário a fim de manter o bom funcionamento do assentamento. Conhecemos também as Mandalas, ou seja, hortas em forma de círculo onde se cultiva centenas de espécies de legumes, hortaliças, frutas e plantas medicinais, tudo orgânico e com sustentabilidade ambiental. O sistema permite a irrigação com água coletada da chuva em um grande reservatório piramidal, localizado no centro da Mandala.

Neste assentamento tudo o que é produzido atende a demanda e o restante vende-se na feira e parte é doado para escolas e hospitais. Ali funciona também a escola latina de línguas e o curso de Agra Ecologia, reunindo pessoas de vários países da América Latina.

 “SE A ROÇA NÃO PLANTA A CIDADE NÃO JANTA”

Nós, fiscais do meio ambiente da PMC, também somos e fazemos parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho e renda, pois contribuímos para o crescimento da nossa cidade, fiscalizando ruas, parques, praças, cemitérios, disposição de resíduos liquido e sólidos, resíduos hospitalares, aterro sanitário, limpeza pública, serviços de varrição, coleta, equipes de roçada, limpeza de rios e fundo de vales, desmatamentos, queimadas, com tudo isso se expondo ao risco de contaminação e acidentes de trabalho, sem ao menos recebermos o que é de direito: A GRATIFICAÇÃO DE RISCO.

Orientamos, notificamos e autuamos infratores das leis e decretos municipais, contribuindo para a sustentabilidade da nossa cidade e do nosso planeta, mas ainda somos desvalorizados pela administração com piso insuficiente para atender nossas necessidades fundamentais (saúde, educação, moradia, alimentação e lazer) que, segundo o Dieese,  hoje deveria ser pelo menos R$ 2.212,66. E, quanto ao risco, gostaríamos  que fosse estendido a todos os fiscais, pois todos estão expostos a um ou vários tipos de acidente ou contaminações.

Portanto, nós, fiscais e demais servidores devemos nos conscientizar da nossa importância para a população e para a nossa cidade, fiscalizando a correta aplicação dos nossos recursos descontados em folha (ICS, IPMC), denunciando aos demais colegas e ao Sismuc todo e qualquer abuso com os recursos e com os colegas no local de trabalho. Com isso, preservaremos nossa cidade, nossa saúde, nossa família e nossos direitos.
 
Na França no século XIX caiu o rei após os camponeses se cansarem de tanto descaso e opressão onde dois mundos se dividiam, ou seja, um  mundo era o da  monarquia fechada no castelo de Versales, esbanjando comida  e, de outro, o povo morrendo de fome e doenças nas ruas.  

 “Conquistar melhor piso é preciso, mas isso só será possível se estivermos unidos por um mesmo ideal”

“Trabalhadores de todos os países uni-vos” (última frase do Manifesto do Partido Comunista)

Dica de um Filme: ”A Revolução  Francesa”