Servidores em cargos extintos cobram revitalização de carreira em reunião do coletivo

Em encontro na última terça-feira, cozinheiras, polivalentes e auxiliares administrativos operacionais reivindicaram o fim da condição de extinção na carreira e reajuste salarial

Na última terça-feira (21), às 19h, cozinheiras, polivalentes e auxiliares administrativos operacionais (CPAs) que atuam no serviço público de Curitiba se reuniram para discutir a situação dos cargos oficialmente declarados em extinção. Essas carreiras foram descontinuadas nos últimos anos pela Prefeitura de Curitiba, sobretudo nas gestões de Rafael Greca e Eduardo Pimentel.

Apesar da extinção formal, muitos desses trabalhadores seguem atuando em unidades da Prefeitura, como escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), garantindo o funcionamento de serviços essenciais. Ou seja, continuam trabalhando, mas sem reconhecimento formal da função que exercem. Por isso, diversos profissionais relatam a percepção de “invisibilidade” e falta de valorização financeira.  

Reivindicações

O objetivo central defendido pela categoria é a revitalização dos cargos, que significa retirar os servidores da zona de extinção e transformá-los em cargos ativos, com carreira progressiva.

Durante a reunião, servidoras e servidores descreveram o que chamaram de um “limbo” funcional, quando profissionais realizam atividades administrativas complexas, como assinatura de documentos e gestão de processos, mas seguem com a nomenclatura e o salário de cargos básicos ou já extintos.

Ludimar Rafanhin, assessor jurídico do SISMUC, explicou que a extinção do cargo não significa a extinção da função. Por exemplo, a função de auxiliar administrativo operacional continua existindo, mas os servidores que estavam vinculados a esse cargo passaram a ocupar outras vagas, sem que isso se reflita em valorização salarial ou reconhecimento da função.

Leia também: “Sem respeito, não há serviço público. SISMUC realiza campanha por um fim à violência contra servidores

Segundo os relatos, essa distorção é agravada pela ausência de um descritivo de funções claro para essas categorias, que ficam submetidas ao que é chamado de “funções correlatas”, termo que, para as trabalhadoras e trabalhadores, dá abertura para a chefia delegar tarefas sem a devida contrapartida salarial. O último reajuste real para algumas dessas categorias ocorreu há quase 30 anos, em 1998.

Outro ponto discutido no encontro foi a garantia de 20% de ganho real nos vencimentos, válido para toda a categoria. A reivindicação busca assegurar isonomia salarial entre esses servidores e os demais trabalhadores que atuam nos mesmos espaços, mas que já contam com planos de carreira ativos e reconhecidos.

Encaminhamentos

Como resultado da reunião, ficou definida a criação de um Grupo Técnico de Trabalho composto por servidores de diversas áreas, como saúde, educação e assistência social, para mapear as funções reais desempenhadas hoje pela categoria e redigir o descritivo de cargos que será levado à mesa de negociação.