Servidores da saúde se mobilizam e param atendimento

As unidades de saúde de Curitiba tiveram o atendimento paralisado nesta segunda-feira (30). Durante trinta minutos, nas trocas dos turnos, os servidores se reuniram e entregaram uma carta à população, explicando a realização do ato e os problemas da saúde na cidade. A mobilização representa um protesto contra a falta de respostas concretas para as pautas da categoria. As negociações vêm sendo feitas desde o início do ano, mas pautas históricas dos servidores, como a incorporação do IDQ e a isonomia na carga horária, foram negadas ou deixadas de lado.

A paralisação foi realizada tanto nas unidades básicas como nas unidades Estratégia Saúde da Família e Unidades de Pronto Atendimento, como a UPA Boa Vista. “Aqui nós estamos sofrendo com a falta de médicos. Além disso, a questão da carga horária precisa ser definida de acordo com o bem estar da categoria”, explica a auxiliar de enfermagem Icléia Melo Viana.

Nas upa’s, além das pautas gerais, os servidores estão lutando por uma carga horária que garanta minimamente sua qualidade de vida. A Prefeitura insiste em utilizar a carga horária 4/2 dias nestas unidades. O problema é que esta carga garante aos trabalhadores apenas um fim de semana de descanso a cada 45 dias, atrapalhando o convívio familiar.

No dia 3 de outubro, uma assembleia foi convocada para organizar o indicativo de greve nas upa’s, marcado para o dia 7.

Estrutura precária

As unidades básicas também participaram ativamente do protesto. Na unidade Umbará II, todos os servidores aderiram ao movimento e atrasaram a abertura do local. Lá, a pauta mais importante é a estrutura. O local é precário e não atende nem ao menos os requisitos básicos de higiene. “Já foram encontrados ratos aqui e nós ainda convivemos com a presença de baratas na unidade. Nós só temos uma porta de entrada e saída e nenhuma ventilação. É uma situação absurda”, conta Kéfera Monte Serrat , auxiliar de saúde bucal.

Além disso, outras questões estruturais atrapalham o trabalho. “Não temos banheiro para deficientes, a unidade não tem ventilação nenhuma, as salas são improvisadas, não há isolamento acústico. E isso não atrapalha só a gente que está trabalhando. Os usuários reclamam bastante da estrutura”, relata Michele Alves da Silva, auxiliar de enfermagem.

Adesão da população

Tantos problemas acabam refletindo diretamente no atendimento à população. A falta de médicos é a principal reclamação. “Já trouxe minha filha para ser atendida e tive que ir embora porque não tinha médicos. Só na terceira vez que vim consegui que ela fosse atendida”, reclama Gleusa Fermino da Silva, usuária da US Umbará II.

De modo geral, a população mostrou adesão ao movimento, por entender a importância da valorização dos servidores. “Estivemos na US Aurora e lá a população se mostrou extremamente receptiva. Várias pessoas perguntaram como poderiam apoiar a luta dos servidores”, relata Irene Rodrigues, coordenadora do Sismuc e uma das responsáveis pelo coletivo da saúde. “Os servidores aderiram em peso ao ato, o que mostra que a categoria está mobilizada em busca de seus direitos e de uma saúde melhor para Curitiba”, finaliza.

A paralisação continua sendo feita na troca de turnos da noite de hoje. Para todas as equipes participarem, a paralisação nas upa’s se estenderá por terça e quarta-feira.

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Foto: Alessandro Dantas Texto: Adriana Cláudia Kalckmann A escala 6×1 significa menos descanso, menos tempo com a família e mais sobrecarga física e emocional para todos os trabalhadores que operam dentro desse regime. A escala 6×1, nos rouba o direito

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