Após três dias de debates, análises de conjuntura e construção coletiva, o 14º Congresso do SISMUC foi encerrado neste domingo (31/05) com a Assembleia Final, momento em que delegados e delegadas aprovaram alterações no Estatuto da entidade, consolidaram o plano de lutas para os próximos anos e deliberaram sobre as moções apresentadas durante o encontro.
Mais do que uma etapa formal, a Assembleia representou a síntese de todo o processo de reflexão, análise e construção coletiva realizado durante o Congresso. As decisões aprovadas refletem os desafios vividos pelos servidores municipais e reafirmam a capacidade da categoria de construir coletivamente respostas para os problemas enfrentados no cotidiano do serviço público.
As alterações estatutárias aprovadas atualizam normas internas, aperfeiçoam procedimentos e fortalecem mecanismos de participação e transparência, especialmente em temas relacionados aos processos eleitorais e ao funcionamento da entidade. A ampla aprovação das emendas demonstrou unidade política e compromisso da categoria com o futuro do SISMUC.
A Assembleia Final também consolidou um plano de lutas construído a partir das contribuições apresentadas nos grupos de trabalho e nos debates realizados durante o Congresso. Além disso, os delegados aprovaram sete moções que expressam reivindicações consideradas prioritárias para a categoria: concurso público para professores da educação infantil, vacinação para todos os servidores municipais, fim do desconto previdenciário de 14%, reconhecimento da insalubridade para professores da educação infantil, apoio à luta pelo fim da escala 6×1, moção de protesto ao Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC) e valorização das cozinheiras, polivalentes e auxiliares administrativos operacionais.
Para a coordenadora-geral do SISMUC, Juliana Mildemberg, as deliberações aprovadas demonstram a capacidade da categoria de definir coletivamente as prioridades da luta sindical. “O plano de lutas que sai deste Congresso tem a cara dos servidores municipais e das categorias que estiveram aqui representadas. Ele dialoga com as pautas históricas, mas também incorpora novos desafios que surgem a partir da realidade dos locais de trabalho. É um plano construído coletivamente, que fortalece a defesa dos serviços públicos e orientará nossa atuação nos próximos anos.”
O maior encontro da história do SISMUC
A Assembleia encerrou oficialmente um Congresso marcado pela intensa participação dos servidores municipais. Durante três dias, os debates conectaram os impactos das transformações políticas, econômicas, culturais, sociais e comunicacionais que atravessam o mundo, o Brasil, o Paraná e Curitiba aos desafios enfrentados diariamente pelos trabalhadores do serviço público.
As análises de conjuntura ajudaram a compreender como as disputas em torno do papel do Estado, do financiamento dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores impactam diretamente a vida da categoria. Ao mesmo tempo, os grupos de trabalho transformaram essas reflexões em propostas concretas, construindo um plano de lutas conectado tanto às demandas históricas quanto aos desafios emergentes do funcionalismo municipal.
“Foi o maior Congresso da história do SISMUC. Tivemos, ao longo da programação, uma presença muito expressiva dos delegados e delegadas em todos os espaços. Os grupos de trabalho estiveram cheios, os plenários permaneceram lotados durante os três dias e isso demonstra que a categoria veio para participar, debater e construir os rumos da luta. É algo que fica marcado na história do sindicato e na memória dos servidores que estiveram aqui”, avalia Juliana.
Lançamentos
A construção de um sindicato mais forte também passou pela produção de ferramentas de formação, informação e organização da categoria. Durante o Congresso, o SISMUC lançou o Guia de Linguagem Inclusiva e Humanizada e o Manual de Direitos dos Servidores Municipais, materiais que reforçam o compromisso da entidade com a democratização da informação, a formação política e a defesa dos direitos dos trabalhadores.
Durante o Congresso, o SISMUC assinou a carta-compromisso do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Como desdobramento dessa pauta, o Sindicato encaminhará o documento à administração municipal para que o tema seja trabalhado de forma séria e estruturada junto às secretarias municipais, discutindo mecanismos de prevenção ao feminicídio e protocolos de encaminhamento para casos de tentativa de feminicídio envolvendo servidoras.
Também foi oficializada durante o Congresso a criação dos coletivos de Mulheres, LGBTQIA+, Igualdade Racial, Pessoas com Deficiência (PCD) e Juventude. Os espaços foram criados para fortalecer a representatividade, ampliar a participação dos servidores municipais e construir ações permanentes de acolhimento, formação e defesa de direitos dentro da entidade.
Organização e planejamento fortalecem o SISMUC
O tamanho do Congresso também reflete o crescimento vivido pela entidade nos últimos anos. Atualmente, o SISMUC reúne cerca de 11 mil sindicalizados, organiza aproximadamente 13 coletivos de trabalhadores e está presente em mais de 950 locais de trabalho do município.
Para a coordenadora da Secretaria de Finanças, Edicleia Farias, os números ajudam a explicar a dimensão do investimento realizado para garantir a participação da categoria no principal espaço de decisões da entidade. “Neste Congresso, tivemos praticamente o dobro de delegados em relação ao Congresso anterior. Existe um investimento financeiro importante para garantir estrutura, formação, acolhimento, materiais de qualidade e condições para que os servidores participem plenamente desse espaço de decisão. E, quando vemos o resultado, percebemos o recurso da entidade retornando para a própria categoria.”
Segundo Edicleia, o fortalecimento da participação acompanha o crescimento do sindicato e amplia a responsabilidade da entidade em seguir investindo na organização dos servidores. “O SISMUC vive um momento de crescimento muito significativo. Quanto mais servidores se aproximam da entidade, maior é nossa responsabilidade de investir na organização, na formação e na participação democrática. O Congresso mostrou exatamente isso: que investir na categoria também é investir na luta. E os resultados desses três dias demonstram que estamos construindo um sindicato cada vez mais forte, representativo e preparado para enfrentar os desafios que estão colocados para os servidores municipais.”
Ao encerrar sua 14ª edição, o Congresso deixa como legado não apenas resoluções, moções, alterações estatutárias e um plano de lutas construído coletivamente. Deixa também a demonstração de que uma categoria organizada, participativa e comprometida com a defesa dos serviços públicos segue ampliando sua capacidade de formular propostas, enfrentar desafios e disputar os rumos do serviço público municipal.
Mais do que o maior Congresso da história do SISMUC em números, esta edição reafirmou a força política de uma categoria que constrói seu futuro por meio do debate, da participação e da organização coletiva.







