SISMUC lança Guia de Linguagem Inclusiva e Humanizada e fortalece compromisso com o respeito à diversidade

Material já está disponível, gratuitamente, para download e marca também a criação dos coletivos de Mulheres, LGBT+, Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência (PCD)

As palavras constroem pontes, acolhem, reconhecem identidades e ajudam a transformar realidades. Foi com esse entendimento que o SISMUC lançou, neste sábado (30), durante o 14º Congresso da entidade, o Guia de Linguagem Inclusiva e Humanizada. Mais do que uma publicação, o material representa um compromisso coletivo com uma comunicação baseada no respeito, na diversidade e na valorização das diferentes experiências humanas. Disponível para download no site do Sindicato, a cartilha reúne orientações, termos e expressões que contribuem para uma comunicação mais acessível, inclusiva e alinhada aos direitos humanos, à legislação brasileira e às diretrizes de órgãos oficiais.

O lançamento do guia não aconteceu de forma isolada. O momento também marcou a criação dos coletivos de Mulheres, LGBT+, Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência (PCD), espaços permanentes de escuta, acolhimento e construção de propostas dentro do SISMUC. Juntos, guia e coletivos representam um mesmo compromisso: transformar o respeito à diversidade em prática cotidiana, fortalecendo a representatividade e ampliando a participação dos servidores municipais na vida sindical.

Ao apresentar o material, a coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sindicato, Niuceia de Fátima Oliveira, destacou o significado político e simbólico do lançamento. Para ela, levar o debate sobre inclusão, respeito e diversidade para o principal espaço deliberativo da entidade demonstra o compromisso do SISMUC em construir uma atuação sindical cada vez mais acolhedora e representativa. “O SISMUC fez um gol hoje, um golaço. Trouxe para o nosso 14º Congresso o lançamento deste Guia, este material maravilhoso de linguagem inclusiva e humanizada.”

A dirigente também fez questão de reconhecer o trabalho de construção do material e o papel da comunicação nesse processo. “A nossa equipe de comunicação, as nossas jornalistas, a Ana Carolina e a Riquieli Capitani, perceberam o quanto estruturalmente nós trazemos um jeito muito preconceituoso, perigoso e muitas vezes até criminoso na forma de abordar os temas que a gente tem pelas políticas sociais e pelas questões de direitos que a gente defende.” Para Niuceia, o guia representa uma oportunidade de aprendizado coletivo e um instrumento capaz de fortalecer uma cultura de respeito dentro do Sindicato, do serviço público e da sociedade.

A coordenadora-geral do SISMUC, Juliana Mildemberg, ressaltou que o guia nasce do entendimento de que a comunicação também precisa acompanhar as transformações da sociedade e que aprender faz parte do compromisso de quem atua no serviço público. “Hoje a gente não tem mais a opção de dizer que não sabia. Acho que esse também é um papel importante deste guia.”

Segundo Juliana, muitas expressões consideradas normais durante décadas carregam preconceitos e exclusões que precisam ser revistos. “O material não encerra o debate, mas inaugura um processo permanente de reflexão e construção coletiva dentro da entidade.”

 

Inclusão que sai do papel

Se o guia oferece ferramentas para repensar a forma como nos comunicamos, os coletivos surgem como espaços para transformar essa reflexão em ação. A criação desses grupos busca ampliar a representatividade dentro do SISMUC e fortalecer o debate sobre igualdade, diversidade e direitos humanos a partir das experiências concretas vividas pelos servidores municipais.

Entre eles está o Coletivo de Mulheres, coordenado por Niuceia. Ela destaca a importância do espaço e das ferramentas que podem contribuir para o fortalecimento das pautas das trabalhadoras.

“O serviço público tem rosto de mulher e […] este guia de linguagem inclusiva e humanizada irá contribuir muitíssimo com o Coletivo das servidoras públicas, que precisam ter sua vida preservada e o respeito em todas as esferas da vida e do trabalho”.

É nessa mesma perspectiva que o Coletivo LGBTQIA+ começa a ser estruturado como um espaço de acolhimento, organização e construção de pautas. Para Fabiula de Fátima Rizzardi de Oliveira, da Secretaria de Gênero e Direitos LGBTQI+, o guia surge como uma ferramenta importante para enfrentar situações de discriminação que ainda marcam a vida de muitos trabalhadores. “A criação deste guia veio somar como uma estratégia de enfrentamento às nossas dificuldades de convivência e das questões de assédio e de preconceito nos nossos locais de trabalho e na vida no geral.”

Segundo ela, muitas violências são reproduzidas por meio da linguagem e acabam sendo naturalizadas em comentários, piadas e expressões consideradas inofensivas. O trabalho do coletivo será justamente contribuir para que essas situações sejam identificadas, debatidas e transformadas.

A linguagem também carrega marcas históricas das desigualdades raciais presentes na sociedade. Por isso, o debate proposto pelo guia dialoga diretamente com a criação do Coletivo de Igualdade Racial, que nasce com o objetivo de fortalecer a representatividade e ampliar o enfrentamento ao racismo estrutural dentro e fora dos locais de trabalho.

Para Dermeval F. da Silva, coordenador da Secretaria de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, a iniciativa representa um passo importante para consolidar esse debate dentro da organização sindical. “A criação de um coletivo de combate ao racismo dentro de um sindicato é fundamental para dar representatividade, voz ativa e combate efetivo ao racismo estrutural.”

De acordo com o dirigente, o grupo terá ainda a missão de construir uma rede de apoio para trabalhadores que enfrentam situações de discriminação, garantindo acolhimento e organização coletiva diante das violações de direitos.

Entre os grupos criados, o Coletivo de Pessoas com Deficiência (PCD) nasce para dar visibilidade a vivências que muitas vezes permanecem à margem dos debates institucionais. A servidora Sara Pretko conhece essa realidade de perto. Após sofrer um AVC isquêmico, ela convive com sequelas e limitações de mobilidade, mas ainda enfrenta dificuldades para ter sua condição reconhecida pela administração municipal.

Para ela, o guia pode cumprir um papel importante ao ampliar o acesso à informação e incentivar que mais pessoas conheçam seus direitos. “Esse material é para que as pessoas se enxerguem e tenham mais informações. E vão buscar mais conhecimento. Esse é só o começo.”

Organizar os jovens servidores e incentivar a participação na luta. É com esse objetivo que nasce o Coletivo da Juventude. “É muito importante que haja renovação entre os servidores e que as pessoas se coloquem no coletivo. Temos observado uma renovação do serviço público, com jovens servidores ingressando na carreira. A juventude também tem demonstrado mais interesse em prestar concurso público. Há um preconceito em relação à juventude no serviço público, então o coletivo tem esse papel fundamental de acolher e formar esses jovens.”  A expectativa é que o coletivo se torne um espaço de troca de experiências, fortalecimento e orientação para servidores que enfrentam desafios semelhantes.

Um compromisso permanente
Mais do que orientar a escolha de palavras, o Guia de Linguagem Inclusiva e Humanizada propõe uma mudança de olhar. Ao lado dos novos coletivos, ele inaugura um processo permanente de construção dentro do SISMUC, reforçando que inclusão, respeito e diversidade não são temas pontuais, mas valores que precisam atravessar a comunicação, as relações de trabalho e a própria organização sindical.