“Um encontro construído pela força coletiva de centenas de servidoras e servidores que acreditam na organização, na luta e na transformação da realidade por meio da ação sindical”, com essa frase demos início ao 14º Congresso do SISMUC, o maior já realizado em 37 anos de Sindicato. A mística de abertura foi potente, reunindo as crianças, filhas e filhos das/dos delegadas/os, que carregaram a bandeira do SISMUC e entregaram mel para os presentes. O ato simboliza nós, servidoras e servidoras, que somos também abelhas que polinizam a construção da nossa cidade, com um serviço público de qualidade, fazem o jardim florescer.

Mais de 500 delegadas e delegados, eleitos em seus locais de trabalho, vieram deliberar sobre as principais lutas que as servidoras e os servidores públicos deverão enfrentar nos próximos anos. Mas, assim como a primavera não chega de uma hora pra outra, as condições ideais de trabalho não cairão dos céus. A categoria deve se unir, semear a mobilização diariamente em seus locais de trabalho, para que possamos colher os frutos em nossas carreiras.
Juliana Mildemberg, coordenadora geral do SISMUC, reforçou que nossa história não começou hoje, mas continuamos aqui, resistindo contra tudo o que tenta acabar com o serviço público. “São quase quatro décadas de enfrentamento. Contra ataques aos direitos. Contra a precarização do serviço público. Contra a tentativa de transformar o cuidado em mercadoria”, afirmou.
Para alguns olhos desatentos, pode parecer que não há nada de diferente. Mas, a força e união da categoria aponta para uma categoria viva e que sabe que pode transformar a sua realidade, a partir do engajamento coletivo. Um fato recente que mostra isso foi a greve do dia 8 de abril, que em apenas um dia, conseguiu encaminhar negociações com a Prefeitura.
Durante a noite de hoje, convidamos para subir ao palco representantes de entidades que fortalecem o serviço público, como Anna Julia Rodrigues, da CUT Santa Catarina. “Esse estado tem gente de luta, gente em defesa dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Se a cidade funciona, é porque temos servidoras e servidores na ponta, que atendem a população”, afirmou.
Também fizeram saudações o presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller; Sidineiva Gonçalves de Lima, diretoria executiva da CUT Nacional; Cristiane Zacarias, presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana; Regina Cruz, superintendente do Ministério do Trabalho no Paraná; Aline Reis, presidenta do Sindicato de Jornalistas do Paraná; Priscila Ferelli Maia, presidenta do SINDMP-PR; Simeri Ribas, coordenadora geral do SISMMAR; Marlei Fernandes, dirigente da APP-Sindicato; Samia Leiza Alves Dornelles, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pinhais; Luiz Eduardo Pleis; presidente do SindServ Ponta Grossa; Dandara Aparecida Ramos da Silva, presidente do SINDIEDUC; José de Oliveira, dirigente do SINTRACOM; Marcela Bonfim – SISMMAC; Rosani Moreira, da Marcha Mundial de Mulheres; Fábio Silva, da Articulação Brasileira de Gays e João Cayres, Secretário no Brasil na Internacional de Serviços Públicos (ISP). “O congresso é um momento de reflexão é um momento de formação, em um ano importante de eleição, em que temos que tomar várias decisões, até porque essa eleição depende de muitas coisas para transformar o país”, considerou Cayres.
A abertura do congresso também contou com a presença da vereadora Vanda de Assis (PT) e do deputado federal Tadeu Veneri (PT), ambos reafirmaram o compromisso de atuar na defesa de um serviço público forte, com uma articulação política no sentido de barrar retrocessos. Citando Che Guevara, Tadeu Veneri lembrou a frase “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera.”
A participação de diversas entidades em nosso Congresso reafirma algo fundamental: nenhuma categoria atravessa os desafios sozinha. É na solidariedade entre a classe trabalhadora, na união entre os sindicatos e os movimentos sociais, que construímos a força necessária para resistir, propor e transformar. Cada organização presente carrega sua própria história de luta.
Pacto nacional contra o feminicídio
Aproveitamos o evento para marcarmos a pauta de proteção à vida das mulheres, destacando que as mulheres são maioria no serviço público. Juliana Mildemberg assinou a carta compromisso do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Como desdobramento dessa pauta, o Sindicato encaminhará a carta à administração municipal, para que o tema seja trabalhado de forma séria e estruturada junto às secretarias, formas de se trabalhar mecanismos de prevenção ao feminicídio e como encaminhar os casos de tentativas de feminicídio contra servidoras. (Acesse a carta aqui)
O momento contou com a exibição de um vídeo da ministra de mulheres Márcia Lopes, enviado especialmente ao SISMUC e também de Kenia Figueiredo, idealizadora da Tenda Lilás – espaço que ficará durante os três dias de congresso e funciona como um local de referência para informar, conscientizar e fortalecer a proteção dos direitos das mulheres.
Niuceia de Fátima, conselheira municipal dos direitos das mulheres, ressaltou que o avanço de políticas públicas de proteção só é possível hoje porque estamos sob uma conjuntura governamental que permite essa abertura e diálogo, após enfrentarmos um longo e duro período de 10 anos com imensas dificuldades de organização social.
Em coro, delegadas e delegados finalizaram a mesa com o grito “Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres”.








