Enquanto mais de 3.500 crianças aguardam na fila da matrícula de CMEIs, quase 60 salas permanecem fechadas

O SISMUC obteve o dado, via pedido de informação à Prefeitura, de que pelo menos até o dia 22 de abril deste ano, 57 salas de CMEIs se encontram desativadas. A justificativa repassada pela gestão municipal é de que as salas estão fechadas por motivos pontuais, como manutenção e reformas. Porém, em outros casos, por “recomposição de recursos humanos”, ou seja, faltam professoras/es para preencher as turmas. Sem concurso público, não há equipe para garantir o atendimento na rede municipal de educação. 

Embora não seja uma novidade para o SISMUC e para as/os profissionais que atendem nos CMEIs, os números evidenciam o drama vivido tanto pelas/os servidoras/es, quanto pelas famílias que aguardam por uma vaga para as suas crianças. São 3.542 crianças de 0 a 3 anos na fila por um atendimento — número que oscila diariamente, segundo a própria Prefeitura.

O maior gargalo das filas para atendimento está nas salas de berçários, totalizando 2.464 crianças, enquanto nas turmas de maternal são mais de 1.000 que buscam realizar matrícula. Em relação às regionais que mais sofrem com a falta de vagas, Tatuquara e CIC seguem liderando o ranking, sendo as regiões que com mais registro de défict nas vagas em CMEIs. 

*Dados informados em 1º de abril de 2026, às 16h.

A solução encontrada pela Prefeitura para tentar zerar as filas foi o Programa Vale-Creche, porém ele se mostra ineficaz, quando notamos que o Tatuquara, bairro onde há mais procura, não possui escolas e entidades de ensino privadas para preencher a lacuna deixada pela gestão municipal. 

Menos professoras/es, menos salas funcionando, mais sobrecarga de trabalho 

Se as 57 salas estivessem em funcionamento regular, seria possível atender aproximadamente 40% das crianças que hoje aguardam por uma vaga, considerando uma média de 26 crianças por turma. Aliás, a falta de vagas pode levar a salas superlotadas, ultrapassando o que determina a Portaria n° 33/2021, que informa o dimensionamento adequado de professor x aluno. 

 

 

Como indicado pela própria Prefeitura, uma das razões que leva ao fechamento de salas é o número insuficiente de professoras/es de educação infantil na rede. Esse problema gera outros desdobramentos em cadeia, como a maior sobrecarga de trabalho, a organização improvisada das turmas, prejuízo na qualidade da educação ofertada às crianças e o não cumprimento dos 33% de hora-atividade — direito estabelecido em lei a todas e todos os professores. 

Vale destacar que a Lei n° 15.326/2026 enquadrou os professores de educação infantil na carreira do magistério, categoria que é reconhecida com o direito de ⅓ da sua carga-horária para desempenhar tarefas externas à sala, como estudos planejamento de atividades, além de outros, como o recebimento do piso salarial.

Apesar da lei nacional garantir este reconhecimento, em Curitiba, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) permanece em uma política de desvalorização das professoras e professores de educação infantil. O piso salarial, por exemplo, não está sendo aplicado com o valor do reajuste de 2026 e sim em forma de complementação ainda no valor referente ao ano passado, o que causa achatamento na carreira. O SISMUC entende que essa postura ignora as legislações e aprofunda os problemas enfrentados no dia a dia de trabalho dos CMEIs.