Pelo segundo ano consecutivo, o SISMUC tomou posse como membro titular do Conselho Municipal da Diversidade Sexual, em cerimônia realizada nesta quarta-feira, 25 de fevereiro. A recondução consolida a presença do Sindicato em um dos principais espaços institucionais de formulação, acompanhamento e fiscalização de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+ em Curitiba, reafirmando o compromisso histórico da entidade com a defesa de direitos e o enfrentamento às desigualdades.
A representação do SISMUC será exercida por Fabiula Rizzardi de Oliveira, dirigente responsável pela pasta de Gênero e Direitos LGBTQIA+. A Central Única dos Trabalhadores no Paraná também integra o Conselho, com representação de Luara Nefeli, ampliando a presença do movimento sindical no debate e na construção de políticas públicas inclusivas no município.
Ao comentar a importância da recondução, Fabiula destaca o papel político da ocupação desse espaço. “Para mim, estar nesse novo mandato, que inicia agora em 2026 e segue até 2028, é ocupar um espaço muito importante de ampliação dos direitos dessa população e principalmente dos servidores municipais que atuam no município. Eu, uma pessoa LGBTQIA+ que trabalho como professora de educação infantil há 20 anos na rede municipal de educação, vejo no Conselho um aliado no combate à invisibilidade e às demandas de enfrentamento ao preconceito e descaso social e também um meio de ampliação das políticas públicas voltadas para nós.”
Luara também ressalta o significado da representação. “Para mim, é muito significativo ocupar essa cadeira, esse espaço de fala, tanto como servidora na rede de Curitiba. Nós não temos números, não temos dados da quantidade de pessoas trans que ocupam o espaço do serviço público. Infelizmente, deve ser um número muito baixo, com a pouca informação que a gente tem.” Para ela, falar a partir de diferentes lugares é um gesto político. “Poder falar tanto pelo SISMUC quanto como servidora, como pessoa trans, como quem faz parte da classe trabalhadora, é um ato de resistência, a gente conseguir impor as nossas ideias.”
Ao tratar do papel institucional do Conselho, Fabiula enfatiza sua função democrática. “A participação nesse conselho fortalece a democracia participativa, por ampliar o diálogo entre a sociedade civil e o poder público. Quando representantes da diversidade sexual ocupam esse espaço, contribuem para a elaboração, acompanhamento e fiscalização de políticas voltadas ao combate à discriminação, à violência e à exclusão social.” Segundo ela, o CMDS também atua como instrumento de controle social, permitindo que a comunidade acompanhe ações governamentais e cobre a implementação de direitos já assegurados na legislação.
Na mesma linha, Luara defende que a atuação sindical amplia a representatividade no mundo do trabalho. “Para mim, é uma experiência que faz sentido porque todos somos trabalhadores, todos fazemos parte dessa classe, todos nós dando o nosso máximo e infelizmente a gente ainda sente a exclusão de pessoas LGBTQIA+ no serviço público, no serviço privado. Então, poder representar a CUT também é algo que é muito importante.” Ela acrescenta que a presença no Conselho deve resultar em medidas concretas. “A gente vai buscar estratégias e políticas públicas para as pessoas terem o livre-arbítrio de ser quem elas são, de escolher viver como elas querem viver e como pretendem continuar o trabalho delas.”
Para Fabiula, essa presença qualificada contribui diretamente para que as demandas concretas da população LGBTQIA+ sejam consideradas na formulação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência social, cultura, trabalho e demais serviços públicos do município.
Dados
Os dados reforçam a importância dessa atuação. Informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que, em 2025, Curitiba registrou 2.155 violações de direitos humanos contra pessoas LGBTQIA+, com 396 denúncias formalizadas.
Já o relatório anual do Grupo Gay da Bahia, referente a 2025, documentou 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ no Brasil, sendo 237 homicídios e 20 suicídios. O número representa redução de 11,7% em relação a 2024, quando foram registrados 291 casos. Ainda assim, o país mantém a liderança mundial em assassinatos de pessoas LGBTQIA+, seguido do México, com 40 homicídios, e dos Estados Unidos, com 10. Em média, uma pessoa LGBTQIA+ é morta a cada 34 horas no Brasil.
Nesse contexto, a permanência do SISMUC no Conselho Municipal da Diversidade Sexual consolida o papel do Sindicato como sujeito ativo na defesa da cidadania, na promoção da igualdade e na construção de uma Curitiba mais justa e inclusiva para todas as pessoas.


