Um dos maiores desafios do sindicalismo é reconquistar sua base de
trabalhadores. Nos últimos anos, sob o governo do PT, a organização sindical
ligada a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi aos poucos deixando de se
organizar para obter conquistas e garantir direitos. Entre os especialistas, o
“abandono” se deu porque a negociação entre centrais e governo federal era
amistosa. Os governos petistas, principalmente do presidente Lula, trouxeram
grandes ganhos salariais a massa trabalhadora brasileira. Em 2004, por exemplo,
79% das negociações salariais trouxeram reajustes iguais ou superiores às variações
acumuladas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de acordo com o
Dieese. Percentual bem diferente de 2016, sob o governo não eleito de Michel
Golpista. Neste ano, apenas 24% das unidades de negociação analisadas pelo Dieese
conquistaram ganhos reais aos salários.
Por outro lado, um sindicato forte não se sustenta apenas de suas
negociações salariais. Ele se estrutura em uma base sindicalizada e com
representação nos locais de trabalho. Essa relação entre direção sindical e
trabalhadores é fundamental para manutenção de direitos e denúncia de
irregularidades, como aponta o especialista José Cláudio de Brito. Para ele, a
representação dos trabalhadores no local de trabalho (RLT) é entendida como o
“conjunto de meios destinados à discussão e manifestação dos empregados no
local de trabalho, tendo em vista o desenvolvimento de entendimentos com o
empregador destinados à efetivação ou à reivindicação de direitos e deveres”.
Para Archimedes Felício
Lazzeri e Martinho da Conceição, organizadores do livro “Trabalho
de base, organização e formação no local de trabalho”,que é utilizado nas formações da CUT, “todas
as formas de organização e representação no local de trabalho devem responder
às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras, seja em relação a processos
e controles do trabalho, direito à informação e negociação, mudanças
organizacionais, ritmo de trabalho, qualificação profissional, saúde do
trabalhador ou sobre a igualdade e equidade nas relações de gênero, raça e
geração”.
Para eles, portanto, a
organização por local de trabalho é fundamental para fortalecer dois pontos: 1º)
A organização e representação sindical no local de trabalho pode ser um
instrumento para fiscalizar acordos e democratizar as relações de trabalho; 2º)
O local de trabalho é um espaço privilegiado para afirmar ideias, valores e
atitudes sobre democracia direta, cooperação e solidariedade.
Por
outro lado, para que a organização de base funcione bem, é necessário que as
direções sindicais não hierarquizem as decisões.ParaArchimedes Felício Lazzeri e Martinho da
Conceição, é preciso avaliar se as responsabilidades estão sendo compartilhadas
adequadamente, ou, se está hierarquizando as tarefas atribuídas aos dirigentes,
como se fossem dois grupos distintos, duas direções, os liberados e não
liberados. “Em casa de ferreiro o espeto não precisa ser de pau. Pois, sabemos
que não há mobilização sem trabalho de base, sem aquela conversa com
companheiros e companheiras, sem organização para enfrentar o assédio, as condições
inseguras e penosas”, alertam.
Desafio
O
grande desafio do trabalho de base, do dirigente que atua no local de trabalho,
diz respeito ao ato de criar as condições para que os seus companheiros e
companheiras de trabalho possam enxergar a realidade com os seus próprios
olhos.
A
conscientização das direções sobre a realidade e sobre seu papel no mundo não
acontece por obra do acaso ou por doutrinação, mas de modo sistemático
permanente e intencional, porque, como diz Paulo Freire, estamos sempre “em
processo de acabamento”, individual e coletivamente (Trabalho de base,
organização e formação no local de trabalho).
A base do Sismuc
O Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc) atribui a sua organização na base a principal força da entidade na hora de negociar ou pressionar a Prefeitura de Curitiba. No Sismuc, as reuniões de representantes têm data fixa. Elas ocorrem sempre na segunda terça-feira do mês. São dois períodos: manhã e tarde. É nesse momento em que a luta se fortalece com a troca de experiências. Esses representantes são eleitos no local de trabalho. Cada ambiente pode eleger um representante titular e um suplente, dependendo da quantidade de servidores lotados e dos turnos de trabalho.
“A OLT é uma estratégia que abre a visão do trabalhador para o todo, desde o sindicato até a sociedade, mesmo internacional”, define Cathia Almeida, coordenadora do Sismuc responsável pela pasta. Ela explica que é papel do delegado sindical orientar e mobilizar cada local de trabalho para dar unidade às lutas. “Entrei em 2010 para a OLT ainda sem entender muito. Para mim era só organizar as saídas dos liberados para a base”, conta Cathia. “Aí então eu entendi que, além de entregar o Jornal do Sismuc, é da função ser um braço do sindicato, uma parte integral dele, no local de trabalho”, revela.
Trabalho de base, organização e formação no local de trabalho







