É por direitos

Mais um 08 de março – dia internacional de luta pelos direitos das
mulheres – chegou e vemos as mesmas propagandas comerciais e discursos pelas
ruas: uns celebram a “fragilidade, a docilidade, as multiversáteis mães e
esposas” e “como a vida seria difícil sem o nosso carinho, dedicação e trabalho”;
outros questionam a permanência do dia alegando que “atingimos a igualdade”.

Por isso é sempre necessário lembrar que o 08 de março tem origem no
início do Século XX, especificamente em fevereiro de 1917 com a luta das
mulheres russas, a partir de uma grande greve de tecelãs e costureiras que
buscavam igualdade e melhores condições de trabalho. Tal levante foi estopim
para a primeira fase da Revolução Russa – já a explicação usual é que 129
mulheres teriam sido queimadas vivas por seus patrões ao ocuparem uma fábrica
têxtil de Nova Iorque. Em plena Guerra Fria, a origem russa deu lugar a outra,
nos EUA.

É, portanto, um dia que nasce das reivindicações de mulheres
socialistas, que questionam o patriarcado e a desigualdade entre os gêneros.
Causas de consequências como a violência física, moral, psicológica, sexual e
laboral contra as mulheres. Pauta que ainda nos parece longe de concretizar.

Por isso, marchamos há pelo menos um século. Marchamos porque é preciso
lembrar que a igualdade está distante, mas que diminui a cada mulher que se
empodera e puxa outras para construir uma sociedade em que o medo, a dupla
jornada e a submissão feminina fiquem no passado.

Todo dia 8 de março, diversos movimentos feministas e sociais se
unificam em marcha em milhares de cidades de todo o mundo. Em Curitiba, este
ano de 2016, as mulheres do campo e da cidade estarão juntas em busca da
diminuição da tarifa de energia elétrica no Paraná, que cresceu quase 150% no
ano passado.

O aumento na tarifa afeta consideravelmente a renda familiar das
mulheres – que recebem os menores salários, sendo a maioria sozinhas, mas
chefes de família de baixa renda no Brasil. Este dinheiro, que poderia ser
destinado à educação ou à cultura, por exemplo, passa a ser necessário para o
pagamento da tarifa. O aumento também faz com que haja mais trabalho doméstico,
em razão da pressão para que os eletrodomésticos fiquem desligados.

E o aumento das tarifas de energia tem relação direta com a elevação da
tarifa da água. O que também implica em aumento no preço de bens de consumo
produzidos no país, que são sempre repassados às consumidoras, nunca subtraídos
das margens de lucro.

As mulheres estarão nas ruas pelo fim da violência, pela ocupação de
mais postos de poder e prestígio, pela valorização e autonomia das mulheres
negras, pelo bem viver e para que nenhum direito previdenciário seja retirado.