Depois de inaugurado, Hospital do Idoso permaneceu inativo por 6 meses

As mudanças promovidas pela nova gestão da Prefeitura de Curitiba estão deixando transparecer alguns dos problemas herdados do grupo anterior. Uma delas está relacionada às condições de trabalho no Hospital do Idoso (Zilda Arns). De acordo com denúncias que chegaram de ex-funcionários, o local, depois de inaugurado, permaneceu praticamente inativo durante 6 meses. As denúncias confirmam aquilo que havia sido levantado pelo sindicato em outubro do ano passado.

Segundo um ex-funcionário que preferiu permanecer anônimo, não havia estrutura adequada de trabalho. “Quando a gente entrou não tinha nada para instrumento de trabalho. Não tinha computador, não tinha remédio, não tinha praticamente nada. Os móveis eram todos emprestados da Prefeitura”, relata.

Apesar de ter sido inaugurado em 29 de março de 2012, a Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feaes), gestora do Hospital, já havia recebido cerca de R$ 11 milhões de recursos municipais para iniciar os trabalhos. O dinheiro deveria ser destinado tanto para a contratação de 1.259 pessoas e para processos licitatórios para aquisição de equipamentos. A Feaes também é responsável pela contratação de profissionais para os cmum’s e samu’s, além dos serviços de nutrição e radiologia. 

Este mesmo trabalhador também relata prática de assédio moral no estabelecimento. Segundo ele, sua demissão teria sido motivada por não aceitar estender a jornada de trabalho. Ele conta que nunca recebeu horas extras e que não havia condições de tirar a folga do banco de horas devido ao volume de trabalho.

Um outro ex-funcionário, que também não quis se identificar, conta que os profissionais não param no Hospital porque não há condições de trabalho. Ele diz que também eram comuns pessoas com cargo de diretor insultarem os servidores e elogiarem o contrato de trabalho celetista. 

Para os diretores do Sismuc, o problema está na forma de contratação de pessoal que atua no Hospital do Idoso. Hoje os profissionais que atuam no estabelecimento estão contratados por meio da Feaes. Trata-se de uma modalidade de terceirização do serviço público que, inclusive, vem sendo questionado em alguns estados, tendo em vista que se trata de atividade-fim do governo. O caso mais recente foi no Rio de Janeiro, onde o Ministério Público determinou a contratação de servidores concursados.

Inauguração às pressas
De acordo com o contrato assinado entre a Feaes e a Prefeitura, o Hospital deveria iniciar as atividades em abril de 2012. Caso isto não ocorresse, a Fundação deveria arcar com uma multa por dia de descumprimento do contrato e o risco de rompimento do negócio a partir do 10º dia. Sob foguetes e discursos eleitoreiros, o Hospital foi inaugurado no dia 29 de março, um dia antes do prazo contratual, cedendo toda a estrutura pública, mas aparentemente sem as condições adequadas.