Câmara encerra ano de costas para a população

 Vereadores criam exceção aprovando reajuste de 15% para servidores da Câmara na penúltima sessão do ano e sem debate com todas as categorias.

Pressionados pelos servidores da Câmara Municipal,  os vereadores de Curitiba aprovaram reajuste de 15% nos salários e incorporação na penúltima sessão do ano.  A medida proposta por alguns vereadores em fim de mandato, como o presidente da Casa João do Suco, só teve como votos contrários os vereadores de oposição e a vereadora Maria Goreti. Para eles, a medida não foi debatida com a sociedade e é uma má demonstração para a sociedade.


A vereadora professora Josete se colocou contrária ao projeto. Para ela, a medida é inconstitucional, pois gera uma despesa não prevista a menos de 180 dias do fim de uma gestão, além de quebrar isonomia entre servidores. “A Câmara gera R$ 80 mil de despesa por mês, ferindo a lei de responsabilidade fiscal. Houve pressão para esse projeto passar. Eu sou servidora pública e sindicalista e vejo que isso não foi aprovado de forma clara. Você não aprova um projeto ao apagar das luzes”, condena.


Para aumentar os salários, os servidores alegavam que houve a redução dos cargos comissionados de 562 para 342, tendo garantido os recursos. No entanto, a vereadora Maria Goreti afirma que o projeto foi elaborado apenas pelos servidores. “O projeto devia ter a participação de ambos, mas não teve representação do Executivo”, alerta. Já a vereadora Josete conta que o projeto chegou no fim de novembro e foi apreciado muito rápido. “Eu fico indignada porque os três vereadores que apresentaram o projeto e estão na mesa não estarão aqui no ano que vem, que é João do Suco, Caíque Ferrante e Celso Torquato”, aponta.


O Sismuc vê como preocupante a aprovação do projeto. Para Diogo Monteiro, a aprovação foi feita de forma elitizada e de maneira que não promoveu a discussão: “A gente defende que a discussão salarial e de incorporações seja feita no todo e não de maneira parcial. Da forma como foi aprovado cria exceções e quebra a isonomia”.