Troca do sistema tem gerado série de problemas aos servidores e aos pacientes.
O E-saúde conseguiu desagradar gregos e troianos. De médicos a enfermeiros, farmacêuticos a auxiliares administrativos, as queixas sobre a lentidão e perda de dados do programa são constantes a ponto de se “esquecer” as dificuldades com o Protocolo de Manchester. Implementado no começo do ano para informatizar o atendimento à população, o prontuário eletrônico é alvo de pedido de informações na Câmara de Vereadores sobre seu custo e suas falhas. Além disso, deve ser questionado pelos conselhos de classe.
Três dos principais problemas é o excesso de telas, a lentidão do sistema e o tempo para expirar a senha de acesso. Um médico tem apenas 10 minutos para cadastrar e colher informações do pacientes, senão todas as informações são perdidas automaticamente. “Como atender uma pessoa em 10 minutos”, reclama médica que não quis se identificar.
O prontuário eletrônico também é incompetente no cadastramento e cruzamento de dados dos exames. Segundo servidores do Laboratório Municipal, os dados fornecidos pela tecnologia do E-saúde não são aceitos pelos leitores digitais. “Temos que reetiquetar os tubos porque a etiqueta que é impressa na U.S. é incompatível com nossos aparelhos. Os funcionários do ICI e Minauro passam o dia tentando exportar, mas nem todos entram, aí temos que passar manualmente no aparelho e anotar em livro para que um dia possamos colocar no sistema”, narra a farmacêutica Cáthia Zuanazzi.
A empresa Minauro, com sede no Batel, é um dos alvos do pedido de informações feito pelos vereadores de oposição de Curitiba. A vereadora Josete (PT) quer que prefeitura esclareça as condições e o custo do contrato. “Quais os valores já pagos pela prestação desse serviço, como serão ressarcidos os prejuízos causados aos usuários e qual é o prazo para solucionar as falhas apresentadas pelo sistema?”, questiona Josete. A Prefeitura tem até a metade de março para fornecer as informações.
Enquanto isso, o Sismuc e trabalhadores solicitam agenda com a administração municipal para apontar as falhas. O Sismuc também comunica os conselhos de classe para que a fiscalização seja feita. “Cabe aos conselhos fiscalizar esse sistema. Quando não há condições de trabalho e segurança, os profissionais podem se recusar a prestar o serviço”, alerta Irene Rodrigues, secretária de Assuntos Jurídicos do Sismuc. Os próprios trabalhadores podem acionar seus conselhos e cobrar a fiscalização. “O pessoal do laboratório já deixou claro que não vai assinar nenhum laudo desses enquanto estiver tudo dessa forma”, previne o farmacêutico Eduardo dos Reis Marques.







