Escrito por: CUT-PR
Categoria rejeitou a proposta da empresa e agora deve cruzar os braços para buscar avançar nas negociações
Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios no Paraná realizaram assembleias em Curitiba, Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba nesta terça-feira (25) para avaliar a proposta da empresa para a data-base da categoria. Mesmo com o frio e a chuva em boa parte dos municípios, a categoria participou de forma efetiva, rejeitou os termos apresentados pela empresa e aprovou o indicativo de greve para o dia 10 de setembro.
“A indignação tomou conta dos trabalhadores e das trabalhadoras. A proposta da empresa representa arrocho salarial, retirada de direitos, precarização das condições de trabalho e, assim, um verdadeiro ataque ao nosso plano de saúde. A decisão veio da base, dos trabalhadores que estão dentro das agências, dentro dos CDDs, nas unidades operacionais, nos setores administrativos”, afirmou a presidenta do Sintcom-PR, Elisabeth Ortiz.
De acordo com ela, um dos principais pontos de discórdia está relacionado ao plano de saúde da categoria. “O trabalhador já sofre com o plano de saúde que vem sendo sucateado há anos, com dificuldade de atendimento, redução da rede de atendimento e problema de cobertura. Os trabalhadores estão sendo obrigados a percorrer grandes distâncias para conseguir um atendimento. E agora a empresa veio com proposta de aprofundar isso”, relatou.
“Os trabalhadores não vão admitir. Deixaram bem claro que a nossa saúde não é luxo, não é um favor que a empresa está dando para nós. É um direito conquistado pelos trabalhadores, resultado de décadas de luta, e nós não vamos aceitar que transformem esse direito nosso em mais uma fonte de sofrimento da categoria”, completou Elisabeth Ortiz.
“A Central Única dos Trabalhadores esteve presente na assembleia e apoia essa luta, que é essencial. É necessário que o governo negocie com a categoria, inclusive porque se trata de uma empresa do povo e nós não podemos abrir mão, pois ela é estratégica. É preciso preservar esse trabalho em prol da sociedade e contra a precarização e também contra a privatização. A saúde e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios também estão em jogo”, afirmou a secretária de Mobilização e Movimentos Sociais da CUT Paraná, Alessandra de Oliveira, que participou da assembleia.
Em relação ao reajuste salarial, a empresa apresentou 0,87% para a categoria. “Isso é menos de 1% de reajuste para os trabalhadores, enquanto os trabalhadores enfrentam aumento de custo de vida e perda do poder de compra. Isso é uma proposta rebaixada e que demonstra muita falta de respeito com quem mantém os Correios funcionando. Não fomos nós, os trabalhadores, que criamos essa crise dos Correios. Não fomos nós que tomamos as decisões da gestão. Nós não aceitaremos que o trabalhador seja colocado como uma variável de ajuste. Então, a categoria vai fazer história. Essa indignação está se transformando em organização e luta. Então, nós vamos construir, a partir de agora, a maior greve da história dos Correios”, projetou Elisabeth.
Para a dirigente, é preciso que o Governo Federal também assuma a dianteira para defender a categoria e a própria estatal. “Correio é serviço público, é patrimônio do povo brasileiro. É presença do Estado, integração nacional, inclusão, cidadania. E o governo tem que olhar dessa forma a situação dos Correios. Nós não podemos ignorar a responsabilidade política do governo federal sobre os rumos dessa empresa. Se o governo federal defende uma empresa pública forte, então precisa agir para impedir esse desmonte que está acontecendo e mudar o rumo dessa gestão”, finalizou.







