Fruto da greve: SISMUC avança no debate de reestruturação das carreiras da educação com a gestão municipal

Na tarde de hoje (22), o SISMUC esteve em reunião com a Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal (SMGP) e com representante da Secretaria Municipal de Educação (SME) para dar sequência às pautas das carreiras da educação negociadas na greve geral da categoria, no dia 8 de abril.

O SISMUC cobrou o cumprimento da hora-atividade, conforme determina a lei, a partir da estruturação de um novo modelo. Diante disso, a Secretaria de Educação afirmou que a partir do ano que vem, a implementação da hora-atividade será encarada como prioridade. Inclusive, saímos da reunião com uma agenda para seguir debatendo um projeto de hora-atividade, marcada para o dia 2 de julho.

Também cobramos agilidade na tramitação do protocolo de transição para a parte permanente das/os 103 professoras/es de educação infantil que estão na parte especial da carreira. “É direito o enquadramento adequado desses servidores que já possuem a formação exigida. Sabemos como a demora neste processo interefere diretamente na saúde mental e na saúde financeira da categoria”, apontou Alessandra Oliveira, dirigente do SISMUC. De acordo com a SMGP, a documentação foi encaminhada para avaliação do Conselho Gestor e Responsasbilidade Fiscal. 

A aplicação do piso salarial em toda a tabela é uma das principais reivindicações das professoras e professores de educação infantil. Porém em Curitiba, a Prefeitura faz o pagamento complementar, desvalorizando os servidores que têm mais tempo de serviço.“Pagar o reajuste no inicial da carreira é achatar o salário de quem está há mais tempo no cargo”, salientou Juliana Mildemberg, coordenadora geral do SISMUC. Como resposta, a SME destacou que a partir de setembro deste ano será possível avaliar o impacto financeiro da aplicação do piso em toda a tabela, sendo necessário aguardar o fim do processo de crescimento vertical. “Cabe lembrar que, em negociação no dia de greve, o secretário de educação garantiu o piso salarial em toda a carreira da educação infantil, seguiremos pleiteando este compromisso, bem como o pagamento retroativo a janeiro”, afirmou Alessandra Oliveira. O Sindicato reforçou ainda que, se a gestão municipal aplicar o reajuste em toda a tabela, chegará um momento em que as trabalhadoras passarão a receber acima do piso nacional, graças ao acréscimo dos repasses da data-base.

Durante a reunião, a Gestão de Pessoal afirmou a publicação de editais de concurso público para diversos cargos ainda este ano, inclusive para Professores de Educação Infantil.

Em relação aos Auxiliares de Serviços Escolares, pontuamos em mesa a existência de um grupo técnico formado pelos próprios inspetores de escola que estudam e debatem o avanço na estruturação de sua carreira, como o acesso via nível médio, o dimensionamento ASE/Crianças no pátio das escolas e outras funções do cargo. Diante disso, ficou definido que será agendada uma reunião específica com este grupo técnico. 

 

Demais conquistas da paralisação

O pagamento do auxílio refeição para um número maior de servidoras e servidores era uma das principais reivindicações da greve do dia 8 de abril. Como resposta à mobilização, a Prefeitura publicou o Decreto 800/2026, que fixa em R$ 3.958,85 a faixa salarial de servidoras e servidores que têm o direito de receber o auxílio-refeição. O texto determina que este valor permanecerá, sem alteração, do período entre 1º de maio de 2026 e 31 de março de 2027. Na reunião de hoje, a SMGP apontou que cerca de 1800 trabalhadores serão beneficiados com o recebimento, que virá na folha de pagamento deste mês de junho.

Além disso, o aumento do número de vagas para o crescimento vertical também era um pleito de greve. A Administração municipal publicou os Decretos 880/2026 e 952/2026, garantindo essa ampliação para professores de educação infantil e auxiliares de serviços escolares. 

Os avanços reafirmam que somente a luta organizada da categoria garante direitos e melhores condições de trabalho!

Confira a ata da reunião aqui.