Terceirização: servidores são remanejados às pressas da UPA Boqueirão

De maneira perversa, o desprefeito Greca se utiliza do
momento de crise da saúde por conta da pandemia para dar seguimento ao seu
plano de entregar as UPAs de Curitiba à iniciativa privada.

Após um longo período de tentativas de terceirização da UPA
Boqueirão que foram barradas pelos servidores em conjunto com os sindicatos,
nesta sexta-feira (15) os servidores concursados do local foram informados que
seriam remanejados às pressas. No próximo domingo (17) será o último plantão
dos servidores na unidade.

A situação é revoltante pois expõe que mesmo diante de uma
crise sanitária sem precedentes, a prioridade do desprefeito continua sendo
agradar os empresários que querem lucrar às custas da saúde – direito básico da
população. O fechamento da UPA para transformar em leitos hospitalares foi mais
uma estratégia criada pelo desgoverno para desmobilizar os servidores – já
esgotados após 10 meses de trabalho incessante na pandemia – e facilitar o
processo de terceirização.

Tudo isso está sendo feito às pressas, para tentar calar o
descontentamento dos servidores e da população. A ordem dada aos trabalhadores
concursados da UPA é que escolham os locais de transferência até este sábado,
pois na próxima semana já devem iniciar o trabalho no novo local.

E como fica o atendimento aos usuários nesse cenário? Em vez
de fortalecer a saúde pública para o enfrentamento da pandemia, o que o
desgoverno faz é precarizar e destruir o sistema de saúde pública.

Mas, Greca e sua turma estão muito enganados se acham que
essa jogada de fazer as transferências na surdina vai ser suficiente para calar
aqueles que defendem a saúde pública. O SISMUC e o SISMMAC repudiam a atitude
da gestão. O SISMUC, que representa os servidores municipais, incluindo
categorias da saúde, vai oficiar a Prefeitura e  levará o caso ao Ministério
Público e ao Ministério Público do Trabalho.

Estratégias de privatização

As tentativas de entregar a administração das UPAs para as
Organizações Sociais (OS) permeia a gestão de Greca desde 2017. Mas, desde o
início dessas tentativas os servidores em conjunto com os sindicatos e com os
usuários do SUS lutam contra essa terceirização. Isso porque quem conhece a
realidade de unidades de saúde geridas por OSs sabe que o resultado é
desastroso para a população, com uma piora na qualidade do atendimento.

Em dezembro de 2020, o SISMUC já havia denunciado outra
manobra da gestão municipal direcionada à UPA Boqueirão. Na ocasião, o
atendimento estava sendo quarteirizado. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS),
responsável pela administração da UPA, havia acionado a Fundação Estatal de
Atenção Especializada em Saúde (FEAS), criada para prestar serviços de saúde para
a Prefeitura de Curitiba, mas que estava quarteirizando o serviço de saúde da
UPA Boqueirão para o COOENF, uma cooperativa de enfermagem. Um processo feito
sem licitação e sem nenhuma transparência.

Diante da situação vivenciada na UPA Boqueirão, em dezembro o sindicato, em conjunto com os trabalhadores já havia organizado um ato para lutar contra o fechamento e a terceirização da unidade. 

SAMU terceirizado

A epidemia de terceirização de Greca avança rapidamente. Esta semana a gestão municipal também impôs o remanejamento aos servidores do SAMU. Sem qualquer consideração ou reconhecimento pelos servidores que arriscaram suas vidas na linha de frente nos últimos dez meses, a gestão fez os servidores se sentirem “jogados no lixo”, conforme relato dos trabalhadores que foram remanejados.



O atendimento antes feito pelo SAMU agora vai ser entregue nas mãos de uma empresa da iniciativa privada. No momento em que a população mais precisa do sistema público de saúde, Greca e sua turma aproveitam para transformar direito em mercadoria.

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