Aprimoramento da comunicação dos trabalhadores no local de trabalho

De uma história de lutas conjuntas e apoio mútuo entre o
jornal Brasil de Fato e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica
do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR), surgiu a ideia do I Curso de
Comunicação Sindical.

O programa do curso apontou a troca de conhecimentos entre a
redação do jornal e a direção do sindicato que, há 30 anos, produz um boletim
chamado “Resistência”, que já alcança o número 1204.

Produzido em formato A4, sem pretensões formais, o
Resistência traz o conteúdo das lutas dos petroquímicos e é distribuído no
local de trabalho, na unidade da Fafen Fertilizantes, que fica ao lado da
Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (região metropolitana de
Curitiba) e engloba quase 400 trabalhadores.

É uma espécie de “zine sindical” e histórico. Os próprios
diretores produzem piadas com alguma chefia assediadora, fazem crônicas e
informes para a categoria.

Recentemente, sentiram a necessidade de envolver a diretoria
mais jovem para dar sequência à produção do material.

Chama a atenção como, mesmo em uma categoria antenada com as
novas tecnologias, eles apostam na manutenção do suporte impresso.

A unidade da Fafen Fertilizantes está hoje sob o controle da
Petrobrás, depois de ter passado pela privatização em 1992. De lá para cá, o
controle acionário se alternou entre a Bunge e a Vale, até a recondução ao
controle da Petrobrás – com políticas e ataques aos direitos trabalhistas
diferentes em cada período.

Durante o curso, embora sem a pretensão de analisar cada
texto como “melhor ou pior”, optamos pelo caminho provocativo de Claudia
Santiago e do saudoso Vito Gianotti: como melhorar e tornar mais direta a
comunicação com os trabalhadores? Para isso, foram elaborados três eixos para o
curso, montado com a própria direção sindical, a partir de suas demandas:

a) Debater tipos de textos e características de cada
narrativa, usando exemplos da produção de reportagens do Brasil de Fato e do
boletim Resistência;

b) Como realizar uma análise de conjuntura e também uma visão
crítica da mídia;

c) Com o auxílio das técnicas de narrativas analisadas no
curso, os participantes elaboraram pautas a partir de problemas do local de
trabalho.

Neste último item, ficou nítido em que medida o mundo do
trabalho é invisibilizado pela mídia comercial. Basta pensar sobre quantas
notícias ocorrem diariamente e não temos contato sobre saúde e segurança do
trabalho, assédio moral e acidentes de trabalho, além de questões relacionadas
às unidades de produção como é o caso da Fafen.

A proposta do curso, na qual os trabalhadores produzem suas
próprias notícias e textos, não substitui a comunicação formal do sindicato:
nada mais é que uma forma de expressão direta entre a base sindical. Uma
comunicação por local de trabalho, indispensável para a organização dos
trabalhadores, ainda mais em tempos de sérios ataques via reforma trabalhista.

Com as novas tecnologias, a possibilidade de formação de
grupos de debates, páginas no Facebook e no Whatsapp multiplicam-se entre os
trabalhadores. Ainda assim, o peso da “norma culta”, das opressões, de uma
educação formal e impositiva, ou mesmo falta de tempo disponível para o lazer e
estudo, inibem muitos trabalhadores para se expressar ou fazer uso desses
espaços.

Daí a importância do curso, não só para o aprimoramento da
escrita, mas para dar confiança aos trabalhadores, que admitiram na abertura
das atividades a pressão de escrever conforme um padrão “oficial” ou norma
culta.

A proposta do Brasil de Fato Paraná é que o curso possa ser
levado a outros sindicatos, seja aos delegados sindicais, dirigentes e
integrantes da base. Uma comunicação ampla e eficiente dos trabalhadores
significa também a possibilidade de mais entrada e fortalecimento da
comunicação da esquerda.

*com colaboração de Carolina Goetten, Daniel
Giovanaz, Ednubia Ghisi, Franciele Petry Schramm.

Mais uma crise em Curitiba: greve dos médicos

Os médicos de Curitiba entraram em greve no dia 27 de julho, com a exigência de melhores salários. A categoria assumiu que a paralisação não impactaria os casos urgentes nas Unidades de Saúde. Os profissionais são contratados pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes), com um vínculo semelhante à terceirização.

Setor de autopeças prejudicado

De acordo com o site Agência Sindical, a queda nas vendas do setor de autopeças atingiu US$ 2,65 bilhões no acumulado de janeiro a junho no Brasil. O resultado representa alta de 16,6% sobre o mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 6,06 bilhões e cresceram 10,3% no período, enquanto as vendas ao exterior, de US$ 3,41 bilhões, aumentaram somente 5,9%.

30 de agosto: APP-Sindicato define greve

O dia 30 de agosto, data considerada de “luto e luta” pelos professores estaduais, será novamente de greve. A paralisação foi definida em assembleia estadual, no dia 29 de junho.

Frente Brasil lança programa de emergência no Paraná

O Plano Popular de Emergência da Frente Brasil Popular será lançado no dia 5 de agosto, em Londrina, e no dia 15 na UFPR, em Curitiba. O documento apresenta uma alternativa à crise econômica brasileira. Os lançamentos terão a presença do ex-ministro das relações exteriores, Celso Amorim, ao lado de lideranças nacionais dos movimentos.

Edição: Ednubia Ghisi