Vereadores ligam tratoraço e aprovam regime de urgência no Pacote de Maldades

Os
servidores municipais foram pegos de surpresa com o pedido de
urgência dos projetos que tratam do Pacote de Maldades de Greca. O
pedido foi apresentado pelo líder do governo, Pier Petruziello, e
assinado por pelo menos 28 vereadores. Com o regime, a Câmara
Municipal quebra um compromisso de não tratar o assunto
“atropelando” os debates nas comissões. Quatro projetos
foram aprovados com praticamente os mesmos votos que pediram o
encurtamento dos debates. Eles tratam da Lei de Responsabilidade
Fiscal Municipal, do congelamento dos planos de carreira e salários,
do saque e aumento de alíquota do IPMC e da renegociação de
dívidas com empresas privadas. Aprovados, os projetos devem ser
votados em primeiro turno na próxima segunda-feira (12). Antes, no
dia 8 de junho, todos os sindicatos municipais realizam assembleias
gerais para deflagrar greve.

O
pedido de urgência foi duramente criticado por vereadores da
oposição. Para eles, a medida impede debate mais qualificado sobre
temas que influenciam diretamente na prestação de serviços à
população. A vereadora professora Josete (PT) criticou os números
sonegados pela Prefeitura de Curitiba com relação as dívidas do
município e afirmou ser irresponsabilidade votar no escuro.

Essa
casa não tem autonomia. Nós estamos votando a toque de caixa e sem
esclarecer os pontos fundamentais. Nós vemos projetos que tocam nos
direitos e no fundo de previdência serem aprovados para esse
dinheiro ser usado como quiser”, enfatiza Josete.

Outro
vereador contrário ao pacotaço foi Felipe Braga Cortes
(PSD).
Ele considerou precipitada a iniciativa de estabelecer o regime de
urgência. O vereador calculou que até o fim de junho pode ser
votado sem atropelo os projetos. Para Braga Cortes, a urgência
atropela a apreciação de emendas. Sobre o artigo 18, que trata da
Lei de Responsabilidade Fiscal Municipal , Felipe Braga Cortes conta
que fez um trabalho técnico e em cima de dados concretos. Cortes
disse que
esse
artigo

anula a mensagem que trata da carreira e reajuste dos municipais.

Se
for aprovado como está aqui, vai ocorrer achatamento progressivo com
o pessoal na Prefeitura de Curitiba. Se for percentual, não tem
reajuste por um longo tempo”, alertou Braga Cortes. Para ele, os
projetos causariam danos severos a prestação de serviço em
Curitiba para várias gerações. Braga Cortes sugere limite de
quatro exercícios financeiros para tratar da LRF Municipal e
atrelando ao crescimento nominal.

Governistas


o

líder do governo, Pier Petruziello
(PTB),
justific
ou
qu
e
o pedido de urgência foi solicitado após inúmeras reuniões entre
sindicatos e vereadores e encontros com os secretários. No entanto,
em nenhum momento o governo Greca atendeu qualquer pauta dos
servidores. Nenhum projeto sofreu alteração desde que foi
encaminhado à casa em março. “Nós vamos votar a urgência porque
estamos trabalhando emendas e há uma tendência de o governo fazer
alterações em alguns pontos. Ninguém aqui quer prejudicar
ninguém”, minimizou Pier.

Bruno
Pessuti (PSD) disse que alguns vereadores não entenderam o pedido de
urgência. Ele também criticou as galerias e deu a entender que os
servidores eram deseducados, pois interrompiam a palavra dos
favoráveis ao projeto. Ao defender os projetos de Greca, ele afirma
que Curitiba atingiu o limite prudencial. “A medida mais drástica
é o parcelamento do salário dos servidores públicos”, ameaçou.
O vereador tratou na LRF Municipal. Para ele, os cortes incrementam
os recursos da cidade. “Não dá para viver em um mundo particular
quando o país vive em crise”, direcionou aos servidores.

Quebra
de compromisso

A
virada de mesa nos projetos foi considerada uma quebra de compromisso
com os servidores municipais e com a população. Diversas vezes foi
enfatizado o compromisso do presidente Serginho do Posto (PSDB) de
não acelerar o debate. A medida adotada pelos governistas foi
considerada desleal.

Os
vereadores quebraram um compromisso com os servidores municipais e
aprovaram regime de urgência para votar projetos que congelam
salários e plano de carreira por tempo indefinido. Além disso,
sacam recursos da previdência e aumentam alíquota. Greca e os
vereadores ligaram o tratoraço. A saída é barrar o pacotaço.
Aprovar greve e impedir que retiram nossos direitos”, enfatiza
Irene Rodrigues, coordenadora geral do Sismuc.

O
vereador Goura (PDT) concordou com a posição dos sindicatos e
criticou o toma lá da cá. “Nós não podemos votar com troca de
favores e cargos políticos. A vida do servidor não pode ser trocado
por um ou dois cargos no bairro. Faço apelo para que haja serenidade
e possamos discutir tranquilamente”, se posicionou.

Goura
criticou que o saque do IPMC é para fazer caixa para o prefeito
Rafael Greca. Também criticou que a passagem de ônibus cresceu, o
sistema perdeu passageiros e a lei mudando o sistema não chegou à
Câmara Municipal.


Noemia Rocha (PMDB) chamou Rafael Greca de monarca e reclamou da
falta de palavra dos vereadores que aprovam regime de urgência.
“Aprovam regime de urgência porque se sentem pressionados pelos
servidores”. A vereadora demonstrou que existem cargos
comissionados não localizados na Prefeitura de Curitiba. Ela disse
também que o saque de 600 milhões é uma irresponsabilidade.

Votação
dos quatro projetos

Por
28 votos, vereadores aprovam regime de urgência que trata da LRF
Municipal. Esse projeto achata a carreira dos servidores por tempo
indeterminado

27
vereadores aprovam o pedido do regime de urgência para o projeto que
trata da licença prêmio, plano de carreira e data-base.

Por
26 votos favoráveis e 9 contra, vereadores aprovaram regime de
urgência para o saque de R$ 600 milhões do IPMC e aumento de
alíquota de 11% para 14%. Dos governistas, Paulo Rink argumentou ser
contra o regime de urgência por se tratar de uma questão
administrativa.

A
vereadora Noemia Rocha questionou o projeto que trata do pagamento
dos credores da Prefeitura de Curitiba e seus valores. Ela crítica a
falta de transparência, pois não obteve resposta de quais são as
empresas. “Eu fiz o pedido de informações, mas me negaram. Agora,
os servidores, a gente sabe onde estão”, comparou. Apesar disso,
os vereadores aprovam o regime de urgência renegociando as dívidas
por 27 votos favoráveis e 8 contra.

Confira votação na urgência do Pacote de Maldades

FAVORÁVEIS

Beto Moraes

Bruno Pessuti

Colpani

Cristiano Santos

Dona Lourdes

Dr Wolmir

Ezequias Barros

Fabiane Rosa

Geovane Fernandes

Helio Wirbiski

Jairo Marcelino

Julieta Reis

Katia Dietrich

Marcos Vieira

Maria Letícia Fagundes

Maria Manfron

Mauro Bobato

Mauro Ignácio

Osias Moraes

Paulo Rink (contra urgência no IPMC)

Pier Petruziello

Rogério Campos

Sabino Picolo

Thiago Ferro

Tico Kuzma

Tito Zeglin

Toninho da Farmácia

Zezinho do Sabará



CONTRA

Cacá Pereira

Felipe Braga Cortês

Goura

Mestre Pop

Noemia Rocha

Professor Euler

Professor Silberto

Professora Josete



SEM POSIÇÃO

Serginho do Posto (presidente)

Oscalino do Povo (ausente)