Funcionários de posto de saúde fazem vaquinha para comprar papel e imprimir receitas médicas

Há meses sem receber papel sulfite, funcionários da Unidade de Saúde Sabará, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), decidiram fazer uma vaquinha para comprar as folhas e garantir a impressão de receitas médicas, encaminhamentos e atestados emitidos no posto. Quando a arrecadação coletiva não vai pra frente, o material, muitas vezes, vem da própria casa desses funcionários.

O relato é de uma trabalhadora da unidade, que pediu para não ser identificada. Ela conta que a situação precária compromete o atendimento desde o início do ano, mas se agravou nos últimos três meses. “Sempre teve falta de funcionários, de médicos, mas de insumos era bem difícil. Agora tá bem frequente. Faltam várias coisas, até o papel sulfite”, comenta.
E não é só a caixa de papeis que está vazia. Na unidade – assim como em várias outras da cidade – materiais básicos como luvas e seringas viram objeto de disputa. “A enfermagem ainda consegue fazer alguma coisa sem luva. Agora o pessoal da odontologia sofre”, comentou a profissional, que destacou ainda a lista de medicamentos em falta no posto: ibuprofeno, paracetamol, ácido fólico para gestantes e cloridrato de metformina para diabéticos.
Crianças que precisam atualizar a carteira de vacinação na unidade precisam esperar, já que estão em falta , segundo a funcionária, doses de Sabin (contra paralisia infantil), BCG (tuberculose) e rotavírus.
Vaquinha do sabonete
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Boqueirão a situação não está diferente. Segundo outra profissional, os curativos na UPA estão sendo feitos com esparadrapos, já que a fita micropore não aparece por lá há meses. “É uma material que machuca a pele do paciente, né? Mas a gente se vira com o que tem. Eu mesmo tive que consultar até um ortopedista por causa de uma dor no braço que adquiri por ficar usando uma outra seringa porque a de 5 ml não tem. E com essa a gente precisa fazer muita pressão”.
Fora a briga por luvas, a funcionária destaca que um dos principais problemas agora na unidade é a falta de papel toalha para secar as mãos. A escassez deste produto, de acordo com ela, facilita a transferência de possíveis infecções entre um profissional e outro, já que todos têm de usar a mesma toalha. “Eles preconizam tanto a lavagem de mão, mas o que adianta a gente lavar e não ter onde secar”, questionou.
E o problema vem de longe. No ano passado, ainda na gestão anterior da prefeitura, funcionários de lá também se uniram para uma vaquinha para comprar sabonete, contou uma trabalhadora que, da mesma forma, quis manter a identidade em sigilo. “ A situação está péssima. Nós já chegamos a fazer vaquinha para comprar papel higiênico, sabonete para dar banho em paciente“.
Sem reclamações formais
De acordo com o superintendente executivo da Secretaria Municipal de Saúde, Paulo Campos, a pasta não recebeu nenhuma reclamação formal por parte dos servidores sobre falta de materiais nas unidades. “Seringas, luvas e agulhas são materiais básicos, não estão em falta”, sustentou ele, ao acrescentar que o mesmo ocorre em relação à fita micropore e papel sulfite, também citados na reportagem. “O que pode ter acontecido é uma falta pontual, alguma situação específica”, disse.
Campos admitiu, no entanto, que houve falta de medicamentos, em função de problemas envolvendo distribuição e orçamento, ainda na gestão anterior. “Estávamos com 39 medicamentos em falta e agora estamos equalizando isso. Fizemos compras emergenciais e a distribuição já está acontecendo”, salientou. Em relação às vacinas, o superintendente afirmou que o município recebeu em quantidade menor as doses dos imunizantes citados, após distribuição do Ministério da Saúde. Ainda assim, um trabalho de logística tem sido feito para atender todas as unidades básicas de Saúde.

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