Mês da Consciência Negra no Sismuc contará com atividades formativas

O mês da consciência negra contará com várias ações do Coletivo de Negros e do Ciclo de Cultura e História Africana. Na última sexta-feira de outubro(28), o coordenador de raças do Sismuc, Dermeval Ferreira da Silva, que também é graduado em dança pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP), realizou oficina aberta de dança afro na sede do sindicato, atividade que faz parte do ciclo. A proposta foi valorizar as expressões artísticas e culturais da população negra, elementos importantes da sua identidade.

Para o Dermeval, a dança-afro não pode ser compreendida apenas como primitiva, tribal ou étnica, pois assim como outras expressões corporais, está envolta em uma grande complexidade de movimentos, vários estilos e movimentos do corpo. “Nós, brasileiros, entendemos a dança afro como uma coisa única, mas ela é muito mais do que isso. A África é heterogênea e assim como no continente há vários países, existem também diferentes grupos de africanos que foram trazidos para cá e que mantiveram suas expressões artísticas ao longo desses séculos. No entanto, muitas das danças foram perdidas por falta de interesse e apoio à pesquisa e, também, pelo desconhecimento do poder público em não compreendê-las como elementos importantes dentro do nosso patrimônio imaterial nacional”, destacou Ferreira.

Segundo alguns historiadores e antropólogos, as danças africanas promoviam a integração entre as etnias escravizadas, bem como reforçava a solidariedade e a organização política dos negros. “Além de transformar em uma válvula de escape para seus sofrimentos e humilhações, o corpo do negro também serviu como fonte de resistência ”, acrescentou o coordenador.

Ciclo de Cultura e História Africana – O objetivo da atividade, que é coordenada por Dermeval Ferreira da Silva, especialista em História e Cultura Africana e Afro-brasileira, Educação e Ações Afirmativas no Brasil, é preservar e valorizar a cultura afro-brasileira, por meio do resgate, do valor da herança cultural associados à música, à dança e à arte, ampliando as oportunidades para as pessoas que compõem a diversidade, resgatando a cultura local e brasileira. Também tem o objetivo de ampliar temática racial da cidade de Curitiba através das aulas de dança afro e estimular os participantes a apreciar a cultura de matriz africana.

Os encontros visam estimular a convivência e a aceitação em relação às diferenças étnico-raciais e promover a visibilidade da cultura de matriz africana por meio da dança afro, bem como resgatar a memória cultural do povo negro destacando a sua beleza cultural e física. Os encontros ocorrem às sextas-feiras.