O Coletivo de Mulheres do Sismuc, lançado no último dia 26, defendeu a organização das mulheres nos seus locais de trabalho como forma de luta diante de um quadro social no qual se desenha uma onda de retrocesso. O objetivo, segundo Maria Martins Santos, que está à frente do Coletivo, é proporcionar para as servidoras públicas um espaço de debate, de troca de experiências e de luta por direitos, além de reflexão sobre as conquistas obtidas nos últimos anos e que não devem ser extintas. “Sou sindicalista e feminista. Também quero estar na rua, levantar bandeiras e ter o direito a dizer um não à violência e ao machismo. Sabemos que uma parcela da sociedade está sendo levada para um caminho de retrocesso. Nesse sentido, não podemos apenas criticar a composição do ministério do governo federal, que é majoritariamente de homens, mas nos reunir e falarmos sobre o empoderamento da mulher, sobre os seus direitos. Ao trazê-la da base para participação no coletivo poderemos discutir um pouco mais sobre as políticas públicas para as mulheres e ampliar a discussão no interior do sindicato”, defendeu Maria.
A coordenadora geral do Sismuc, Irene Rodrigues dos Santos, explicou quais foram os motivos que levaram à criação do coletivo e apontou os futuros desafios. Para ela, as discussões sobre gênero, raça e direitos dos LGBT’s devem ser incorporadas às lutas sindicais. “Os coletivos não têm uma pauta específica corporativista, mas uma pauta de sociedade. Ou seja, uma pauta que implica na vida dos servidores e que se aplica na prefeitura. A questão de gênero, por exemplo, não pode passar despercebida, pois as servidoras públicas municipais representam mais de 80% do conjunto dos trabalhadores de Curitiba. E isso influencia diretamente sobre as vidas delas que lutam pela ampliação de vagas nos CMEI’s, contra o assédio moral, o machismo e as desigualdades de salários e de oportunidades”, enfatizou Irene.
A coordenadora de Saúde do Trabalhador, Antônia Ferreira, observa que na atualidade há um interesse maior sobre as questões que dizem respeito à luta das mulheres. No entanto, muitas não recorrem a grupos ou coletivos por não terem incentivo em casa ou por desconhecer as formas como podem ser incluídas nesses espaços de luta. “Há muitas Marias por aí querendo lutar, mas muitas ficam receosas, pois importam-se com opiniões a respeitos do que os outros vão pensar sobre elas. Há Marias querendo lutar, mas com muito medo do que a filhos, companheiros e a sociedade vão dizer, porque, infelizmente, ainda reproduzimos as atitudes machistas. É preciso romper com essas opressões impostas pela sociedade”. Finalizou Antônia.
Ocupações das escolas públicas estaduais – Ao final da reunião, a coordenadora geral do Sismuc fez uma importante reflexão a respeito das diferentes concepções sobre o papel da mãe e do pai na criação do filho. Tomando como exemplo o lamentável caso da morte do jovem Lucas Eduardo Araújo Motas, estudante do ensino médio do Colégio Estadual Santa Felicidade, Irene lembrou que muitas vezes a sociedade culpabiliza a mãe quando seus filhos agem ou criam atitudes julgadas como incorretas.







