Pesquisa desmente “peso” de encargos sociais nos salários

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio-Econômico (Dieese) divulgou hoje (27) uma nota técnica esclarecendo os valores de encargos sociais pagos por trabalhador. O documento responde aos argumentos de empresários brasileiros que alegam pagar muito alto para contratar alguém. Segundo as elites, um trabalhador contratado custaria 100% a mais em relação ao salário pago, devido aos encargos sociais.

O dado é contrariado por pesquisadores da Universidade de Campinas que apresentam um cálculo diferente e que afirma que os encargos custam 25,1% a mais do que os salários. Isto ocorre porque o conceito de salário utilizado tem duas interpretações diferentes. Os empresários estariam considerando direitos como repouso semanal remunerado, férias remuneradas, 13º salário, 1/3 de férias entre outros, como encargo, quando corresponde à valores que são destinados diretamente ao trabalhador. 

Pela análise do Dieese, encargos sociais devem ser considerados o INSS, seguro acidente de trabalho, salário-educação, Incra, Sesi ou Sesc, Senai ou Senac e Sebrae. Assim, um trabalhador contratado que ganha, por exemplo, R$ 1 mil, ganhará R$ 1.229,11, com os adicionais. Outros R$ 308,90, apenas, correspondem a encargos sociais. Somados os valores, o total mensal para por um trabalhador com salário de R$ 1 mil é de R$ 1.538,00, bem abaixo dos R$ 2 mil previsto pelo empresariado (confira a tabela abaixo).
 
Texto: Guilherme Gonçalves