Insatisfeitos, cirurgiões-dentistas cobram isonomia

Os cirurgiões-dentistas da prefeitura de Curitiba demonstraram disposição para se mobilizar em defesa da isonomia. Cerca de 100 profissionais estiveram no edifício Delta, neste dia 19, para exigir tratamento igual ao que foi dado aos médicos. Em reunião com a secretária de recursos humanos Maria do Carmo de Oliveira e a secretária de saúde Eliane Chomatas, diretores do Sismuc, do Conselho Regional de Odontologia, do Sindicato dos Odontologistas do Paraná e uma comissão de servidores questionaram o tratamento diferenciado.

Pelo projeto do prefeito Ducci que altera o plano de cargos, carreiras e vencimentos, aprovado recentemente, pela câmara, os médicos passaram a ter garantido a incorporação de uma remuneração variável. Trata-se da Gratificação Especial de Médico, além do IDQ. Com isso, os médicos iniciam a carreira ganhando próximo de R$ 4 mil para 20 horas semanais. Os dentistas, por outro lado, permaneceram sem o aumento na tabela salarial. Com um salário base próximo de R$ 1,4 mil, mais 30% de gratificação de risco de vida, para as mesmas 20 horas, os chamados odontólogos entram na prefeitura ganhando praticamente metade do que ganham os médicos.

O salário dos cirurgiões-dentistas na prefeitura está abaixo, até mesmo, do piso estadual da categoria. O valor mínimo que deveria ser pago equivale a 3 salários mínimos, mais 40% de insalubridade, o que corresponde a R$ 2.289,00, para a mesma carga horária da prefeitura.


Para justificar a diferenciação, a secretária Maria do Carmo apontou que a prefeitura levou em consideração a situação do mercado de trabalho. A alta rotatividade, os valores pagos em outras cidades e o abandono do cargo estão entre os principais fatores para a prefeitura elevar os salários dos médicos.


Na opinião da secretária de comunicação do Sismuc Alessandra Oliveira, a falta de médicos é um problema que a administração tem que resolver. “Os secretários recebem R$ 12 mil para achar a solução. Entre as medidas está a valorização de todos os profissionais de nível superior”. 


Não é de agora  


“Outras categorias, como procuradores, auditores fiscais e guardas também tiveram aumento e isso não foi por falta de gente. Então, a gente se sente como se fosse uma profissão inferior. Temos a mesma carga horária, a mesma formação superior”, Claudio Fatuch. Ele lembrou que uma carta entregue ao então vice-prefeito Luciano Ducci, no dia 14 de agosto de 2008, já apontava uma série de insatisfações.


Reunião


Uma nova reunião ficou agendada, com data ainda a ser definida para a penúltima semana de agosto. Os trabalhadores cobraram uma proposta por parte da prefeitura. A categoria aguarda avanços. Uma assembleia também será agendada com a possibilidade de aprovar mobilizações caso a prefeitura não apresente uma proposta.
 
Texto: Guilherme Gonçalves