Reportagem da Ágora ganha Sangue Bom

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná
(SindijorPR) realizou a 10ª edição do prêmio Sangue Bom. O evento tem o
objetivo de reconhecer os melhores trabalhos jornalísticos ao longo de um ano
realizados pela imprensa paranaense. Neste ano, o prêmio entregue na AABB, foi
realizado juntamente com a comemoração dos 70 anos do sindicato. O Sismuc
também foi premiado. A reportagem “24 horas num acampamento sem terra” ficou em
segunda na categoria “Reportagem para organizações sindicais, sociais e
jornalismo independente”.

O texto foi publicado na revista Ágora, do Sismuc, na edição
5: “Me agredir não resolve o problema”. A matéria, de autoria de Paula Zarth
Padilha e fotografada por Joka Madruga, é uma parceria entre o sindicato e o
Portal “Terra Sem Males”, que produz jornalismo independente.

A reportagem trata do conflito agrário na região de Quedas
do Iguaçu. No local há disputa entre os agricultores sem terra e a empresa
Araupel, acusada de grilar terras da União. A revista foi lançada na semana em
que trabalhadores foram supostamente assassinados em uma emboscada promovida
pela polícia do Paraná. O evento aumentou o conflito na região.

Em “24 horas num acampamento sem terra”, Paula Padilha
aborda a rotina de famílias em busca do sonho de moradia digna. O texto
destaca: O acampamento tem uma população de 1,2 mil famílias, entre elas cerca
de 400 crianças, é 70% estruturado com casas de madeira. Alguns permanecem em
barracos de lona. Os pequenos luxos das moradias são uma lâmpada e uma tomada
ligada à energia elétrica por casa, além de água encanada na pia. Também há
estrutura de banheiro, ainda que as instalações sejam precárias.

Para a jornalista Paula Padilha, o prêmio está além do
reconhecimento pelo trabalho que desenvolve no Terra Sem Males e nas
contribuições que faz à revista Ágora. “Costumo dizer que fazemos nas
reportagens de campo somente o básico do jornalismo, mas poucos profissionais
se dedicam a isso. Por isso parece tão diferente nosso trabalho”, destaca.

Ela também chama atenção pela possibilidade de dar
visibilidade a temas omitidos pela grande imprensa. “O mais gratificante foi
ganhar com uma matéria dando visibilidade às lutas por terra pra plantar e por
acesso à moradia contando as histórias de famílias do MST. É uma visibilidade
que a mídia convencional e comercial não dá. A versão sem a criminalização ou
sem o enfoque em algo que deu errado”, separa.

A reportagem da Ágora ficou em segundo lugar. Também foram premiadas as reportagens “Assédio
moral na administração pública: quando quem julga é o assediador”, ficando em
terceiro lugar, e a reportagem “A força da educação”, que levou o grande prêmio
da categoria. Isso revela a força do jornalismo sindical e independente que vem
crescendo cada vez mais e chamando atenção da população, explica o jornalista
Manoel Ramires:

“No fim de semana
ocorreu o 4º Encontro de Imprensa Sindical. Um dos temas discutidos foi
justamente a necessidade do jornalismo sindical produzir conteúdos
especializados e mais aprofundados para sua base e para a sociedade
principalmente porque o jornalismo da grande mídia está em crise de
credibilidade e conteúdo. Na revista Ágora buscamos abordar temas que são
renegados ou deturpados pela grande mídia, trazendo uma visão dos trabalhadores
sobre os problemas do nosso país, entre outros”, assinala.

24 horas num acampamento sem terra

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