Mais ocupações, mais rebeldia

Dizem que a origem
da sexta-feira 13 como um dia de azar tem origem em uma lenda protagonizada
pela deusa do amor e da beleza, Friga. A história conta que quando as tribos
nórdicas se converteram ao cristianismo, a personagem foi transformada em uma
bruxa e exilada no alto de uma montanha.

Para se vingar, Friga passou a reunir-se todas as
sextas-feiras com outras 11 feiticeiras, mais o próprio Satanás, num total de
13 participantes, para rogar pragas sobre a humanidade. Viu-se aí, a primeira
rebeldia por um estado laico.

Já o dia 13 de maio vem há mais de um
século revestido de farsa. Na verdade o que foi abolido foi a responsabilidade
dos “senhores” pela manutenção e segurança dos seus escravos, que até hoje continuam excluídos do processo social.
Portanto , 13 de maio é considerada pelo movimento negro como um “Dia Nacional
de luta” e não de “Abolição”.

E foi em uma
sexta-feira, 13 de maio, que recebi várias
mensagens em diversos grupos de Whatsapp solicitando, alimentos, cobertores,
água e acima de tudo apoio aos resistentes lutadores que ocuparam o Iphan de
Curitiba.

A “República de Curitiba”
foi a primeira ocupação após a fusão do Ministério da Cultura ao Ministério da
Educação, medida anunciada no dia 12 de maio, pelo governo “interino e golpista”
como estratégia de corte de gastos para enfrentar o período de recessão.

Em
visita à ocupação no sábado, 14, quando eu e outros companheiros fomos levar
alimentos, fui tomada por um sentimento de tristeza e orgulho. Primeiro por ver companheiros
terem de mais uma vez ir à lutar por um
bem tão fundamental e ao mesmo tempo ver
em um momento tão difícil conseguirem transformar a luta em algo belo.

Já
na entrada artistas em circulo dançavam e a todo momento se via um movimento de
pessoas chegando com alimentos,
cobertores e solidariedade, além de um respeito e uma preocupação constante com
a preservação do espaço tombado.

E
quando achei que nada me emocionaria mais, no domingo um ato espontâneo chamado
nas redes sociais, decide seguir até o Iphan apoiar a “resistência cultural”,
que não poderia terminar o ato de outra forma que não em arte.

Mais ocupações, mais rebeldia

Não
podemos, no entanto, reduzir a ocupação a uma luta setorizada. A pressão fez
com que o governo sem legitimidade recriasse o Ministério da Cultura. Por outro
lado, a luta é maior e não é só pela
sobrevivência da cultura, mas contra um governo ilegítimo e golpista, que
desde o primeiro dia vêm atingindo setores como a previdência, ciências e
tecnologia, direitos humanos, mulheres, raças em um verdadeiro desmonte de
áreas essenciais .