Vereadores dão carta branca para contratação temporária em Curitiba

Os vereadores da bancada do
pacotaço aprovaram em primeira votação, nesta segunda-feira (10), o projeto de
lei que dá carta branca para que a Prefeitura deixe de realizar concursos
públicos e utilize a contratação temporária de forma ampla, geral e irrestrita.

O projeto de lei, aprovado com 23
votos a favor e 7 votos contrários, tramitou em regime de urgência e escancarou
que a intenção da administração municipal não era apenas regulamentar a
contratação via Processo Seletivo Simplificado (PSS) após a mudança na Lei
Orgânica do Município que foi aprovada em abril, mesmo contra a vontade das
servidoras e servidores.

O projeto de lei prevê a
possibilidade de utilizar a contratação via PSS para cobrir licenças, na
substituição de profissionais
que irão assumir funções de diretores e vice-diretores e até para repor
o quadro de vagas permanentes.

O verdadeiro objetivo desse
projeto de lei é transformar em regra um tipo de contratação que deveria ser
usada apenas em situações excepcionais. A proposta considera como “necessidade
temporária de excepcional interesse público” até a substituição de
aposentadorias, falecimentos, demissões e exonerações – cuja reposição é de fácil planejamento
por parte da administração.

Os sindicatos que representam os
servidores municipais estiveram presentes na votação para mostrar que os
prejuízos da proposta que dá carta branca para que a administração municipal
substitua o Regime Integral de Trabalho (RIT) e os concursos públicos pela
contratação via PSS, o que coloca em risco a nomeação dos aprovados nos últimos
concursos e a qualidade dos serviços públicos.

Contratação temporária, com menos direitos e menores
salários

A proposta de regulamentação cria
uma espécie de subcategoria de profissionais que dividirão o mesmo ambiente e a
mesma responsabilidade que os servidores concursados, mas terão menos direitos
e salário menor, quebrando
o princípio de isonomia. O projeto de lei utiliza termos vagos quando
menciona a escolaridade exigida e o salário, o que indica a possibilidade de também
serem contratados estudantes em formação e do salário a ser pago ter só como
referência o piso inicial da carreira equivalente.

O principal problema desse tipo
de contratação é a alta rotatividade. Os contratos temporários poderão se
estender por, no máximo, dois anos. Além disso, para não caracterizar vínculo
empregatício, o projeto de lei também prevê que, após o fim de um contrato, o
profissional não poderá ser recontratado por um período de 24 meses.

Além de gerar insegurança para as
trabalhadoras e trabalhadores temporários e de dificultar a contribuição necessária
para que possam se aposentar no futuro, essa rotatividade é prejudicial para a
qualidade dos serviços públicos.

Prejuízo para o IPMC

A substituição de servidores
concursados por trabalhadores temporários também coloca em risco o futuro do Instituto
de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), pois a
contratação via PSS seguirá as regras da CLT e as contribuições previdenciárias
desses trabalhadores serão recolhidas para o INSS ao invés de irem para o
IPMC. Com a diminuição da arrecadação, o Instituto pode não ter
dinheiro para pagar as aposentadorias atuais e futuras.

Emendas rejeitadas

A bancada do pacotaço não aceitou aprovar sequer as duas emendas apresentadas pela bancada de oposição que buscavam impedir que a contratação PSS seja usada em larga escala para cobrir até mesmo as vagas-vagas que deveriam ser preenchidas por servidores concursados.



A emenda que retirava a possibilidade de contratação via PSS para substituir aposentadorias e exonerações (034.00028.2019) foi rejeitada por 19 votos a 11. Outra emenda que previa a realização de concurso para uma vaga-vaga ocupada por contratação temporária durante 24 meses (032.00011.2019) foi derrotada por 21 votos a 7.



O projeto de lei volta ao plenário na terça-feira (11), para votação em segundo turno.

Nota de pesar João Alves

O SISMUC manifesta profundo pesar pelo falecimento do servidor aposentado João Alves, aos 81 anos. Mecânico da Prefeitura de Curitiba, João dedicou boa parte de sua vida ao serviço público, atuando no setor de obras e deixando sua contribuição para

Leia mais »