Cansados de promessas, educadores entram em greve dia 26

A Prefeitura tentou, sem sucesso, desmobilizar os educadores de Curitiba. Mesmo tempo recebida a pauta da educação em janeiro, a gestão não avançou nas propostas para melhorar o atendimento às crianças nos centros municipais de educação infantil – cmei’s. Em virtude disso, os educadores de todas as regionais decidiram na noite de hoje (21) por entrar em greve geral a partir de terça-feira, 26. O primeiro ato da greve ocorre na Praça Santos Andrade, a partir das 08h00.


A greve não pode ser evitada porque as Secretarias de Recursos Humanos e Educação não ofereceram proposta que atendesse o pleitos dos servidores do segmento. Os trabalhadores acusam a gestão de lentidão em atender as reivindicações e fatiamento da pauta. Os educadores pedem redução de jornada (negada pela Prefeitura), reajuste salário (também negado), eleição de direção de cmei, como ocorre nas escolas, hora atividade de 33% e aposentadoria especial. O governo Gustavo Fruet, por enquanto, só disse que vai estudar a pauta.


Durante a reunião, a gestão Fruet também foi criticada por se esforçar mais em esvaziar o movimento do que atender as reivindicações. “A Prefeitura encaminhou os pedagogos e diretores de núcleo aos cmeis pra dizer que a greve não tinha fundamento, mas essa assembleia mostrou que os educadores estão cansados”, relatou Irene Rodrigues, coordenadora do Sismuc. Outro que criticou o governo Fruet foi Rafael Furtado, presidente do Sismmac: “A gestão Fruet tem dinheiro pra tudo, pra Copa, mas não tem para 30% da educação. Nós vamos orientar os professores a não receber as crianças em solidariedade aos educadores”, mobiliza


Sem avanço nas pautas
A gestão Fruet se reuniu com educadores escolhidos por eles na última terça-feira para tentar desmobilizar a greve. Hoje, se reuniu com o sindicato e representantes da categoria. No entanto, não apresentou propostas que agradem o segmento. Em relação à redução de carga horária, a superintendente de educação Ida Regina afirmou que “a redução de carga horária poderia ocasionar uma dobra do número de profissionais”. Isso acarretaria em “prejuízos pedagógicos”.  Segundo a Secretaria de Educação, a criança não criaria vínculo com um profissional. O sindicato questionou essa tese. Para o Sismuc, o vínculo é com toda a equipe, pois as crianças são atendidas por todos os profissionais em suas turmas. Além disso, se a justificativa fosse aplicada atualemente, o educador não teria que estar cobrindo ausência de outros profissionais.  


Quanto à hora atividade, a legislação municipal entende que o educador deve cumprir 20% enquanto que uma lei federal aborda 33%. No entanto, o sindicato afirmou que nem os 20% estão sendo cumpridos por causa das licenças. Diante deste cenário, a Secretaria de Educação prometeu programar relatório diário da hora permanência. O diagnóstico deve ser implementado imediatamente. O controle será feito através de ofícios que a direção escolar encaminhará por e-mail, segundo a Prefeitura.


Pauta completa
Para o Sismuc, além da redução da carga horária, a Prefeitura deve se responsabilizar com a valorização do educador através de melhor remuneração salarial, aposentadoria especial, implementação da hora atividade de 33%, avanço na carreira sem concorrência e ter profissionais em quantidade suficiente para cobrir as ausências provocadas por licenças. “Não dá pra fatiar a pauta. A valorização se dá com a implementação de todos os itens pedidos pelos educadores”, defende Ana Paula Cozzolino, coordenadora do Sismuc.
 
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