Queremos nossas bandeiras nas ruas

Editorial: Queremos nossas bandeiras nas ruas

O Sismuc completa 25 anos em 2013. O sindicato foi fundado um dia após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Ele é fruto da resistência de servidores que lutaram contra a ditadura, pelas Diretas Já e por um Estado que oferecesse serviços de qualidade ao povo brasileiro e curitibano. Nesta trajetória, sempre se colocou a disposição para organizar e representar a luta dos trabalhadores contra a precarização do trabalho, contra as privatizações e a favor do progresso da nossa cidade, estado e país.

O Sismuc é um sindicato de luta, cutista, que ao longo da história realizou mobilizações, paralisações, greves, ocupou a Prefeitura etc. Foi através do Sismuc que os Guardas Municipais conseguiram dobrar seu salário, foi com o Sismuc que a educação não foi privatizada durante o neoliberalismo, que parte da saúde conseguiu a redução de jornada para 30 horas e que os cirurgiões-dentistas recuperaram sua isonomia. Além disso, fiscais, polivalentes, agentes administrativos, assistência social e tantas outras categoriais conquistaram direitos como vale-alimentação, licença-prêmio, aposentadoria especial, gratificação de risco, entre outros, como resultado dessa representatividade.

São 25 anos de acertos e erros. E o resgate desse histórico se faz necessário justamente porque neste momento o povo toma às ruas indignado com a corrupção – que não é de agora e que sempre denunciamos, como no caso das privatizações, do pedágio, da indústria da multa, do caso Derosso. O povo também protesta contra a falta de segurança, saúde e educação, causas que sempre defendemos. Todavia, parte desta gente prega o antipartidarismo, o antisindicalismo, quer que recolhemos nossas bandeiras, nossas camisetas e causas como se a luta por direitos e democracia tivesse começado recentemente.

Os servidores municipais de Curitiba, sindicalizados ou não, sabem que se o “gigante acordou” é porque há mais de duas décadas nós estamos o cutucando, o provocando. Logo, entendemos que a democracia passa justamente pela representação e a participação de todos nos processos decisórios. A tentativa de nos excluir desse momento, seja enquanto sindicato ou partido, seja de esquerda, direita ou centro, ao invés de promover o amadurecimento do povo, pode nos levar a um passado cujas liberdades são determinadas por aqueles que estão no poder, seja de terno, saia ou farda.

Portanto, o Sismuc defende que o povo vá às ruas, assim como os servidores já o fazem, balancem suas bandeiras, vistam suas camisetas, entreguem seus panfletos, construam uma agenda com foco na isonomia, na valorização do povo e na redução da desigualdade. Nascemos pra lutar e ninguém que entre de carona nesta batalha nos impedirá de exercer nossa vocação.