Violência doméstica persiste

Para alguns a agressão de mulheres pelo próprio companheiro é um problema exclusivo do casal. Para outros, a mulher que apanha fez algo para merecer o castigo. Passados 5 anos desde a aprovação da Lei Maria da Penha, ainda há muito o que avançar na luta para acabar com a violência doméstica. Apesar de garantir alguns direitos importantes para que a vítima tenha segurança e estrutura para denunciar os agressores, o problema ainda persiste. 

Recentemente o Dieese lançou o primeiro anuário das mulheres no qual apresenta dados alarmantes. Dentre eles o fato de que 43% das brasileiras já sofreram violência doméstica e de todas as agredidas, 25,9% foram vítimas de seus próprios companheiros. Em Curitiba, a Delegacia da Mulher registra, por dia,  uma média de 24 ocorrências. Esses dados, no entanto, escondem os vários crimes cometidos diariamente contra as mulheres que acabam não levando a denúncia à frente devido ao medo.

Quem sofre ou sofreu isso na pele sabe que o problema não se resolve apenas com a Lei Maria da Penha. Uma das pessoas que pensa desta forma é Márcia Martins, vítima de violência doméstica que acabou paralítica quando tentava fugir do ex-marido, que a mantinha presa, sob tortura e ameaçando-a de morte. Em sua opinião, a lei foi importante, mas é preciso que algumas questões avancem na lei. Entre elas, estaria o aumento do tempo de prisão do agressor para, no mínimo um ano. “É o tempo que a mulher precisa para reestrutura a vida, conseguir um emprego e um lugar para morar junto com os filhos, sem depender do agressor”, diz Márcia. Além disso, ela entende ser necessário haver um suporte como o que ocorre para testemunhas de crimes, uma espécie de programa de proteção às vítimas de violência doméstica, juntamente com atendimento profissional de psicólogos. 


O depoimento de Marcia foi ouvido por servidores aposentados sindicalizados no Sismuc. A atividade ocorreu no último dia 29, na reunião mensal do coletivo. A próxima reunião ocorre no dia 26 de setembro, a partir das 14 horas, no Sismuc.


Informações úteis


As vítimas dispõem de uma central para atendimento e informação a respeito do assunto. Para saber mais, basta ligar 180. O boletim de ocorrência deve ser realizado nas delegacias das mulheres de cada cidade. A de Curitiba funciona na Rua Padre Antonio, 33 (Alto da Glória), com atendimento 24 horas por dia.