Dieese sugere que sindicatos representem trabalhadores informais

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicou uma nota técnica, nesta semana, debatendo o trabalho informal no Brasil. O documento intitulado “A informalidade e o movimento sindical: uma agenda para o século XXI”, aponta a importância do sindicalismo em estender sua ação para uma parcela de trabalhadores que continua sem proteções sociais. Pela análise dos técnicos que redigiram a nota, a informalidade teria se consolidado no mercado de trabalho brasileiro. Em 2005, do total de empregos, 58,8% eram informais, ou seja, mais da metade dos trabalhadores brasileiros.

A orientação expande o entendimento sobre o papel do sindicalismo em relação a este assunto. Até o início dos anos 90 a ordem era apenas combater a informalidade com o objetivo de inserir a todos no emprego formal. Agora, este tema parece ganhar outros contornos. O objetivo deveria ser o de expandir para essa parcela da população os direitos que já existem no trabalho formal. 

A atenção do sindicalismo deve se voltar, portanto, para alguns segmentos de trabalhadores que estão inseridos neste novo e complexo mercado de trabalho, defende a nota assinada por Marcelo de Souza, Clemente Ganz Lúcio e Rosane de Maia. 


Ações como esta podem ser uma das alternativas para que o sindicalismo mantenha um ritmo de crescimento de sindicalizações e para aumentar a capacidade de intervenção dos trabalhadores por meio de seus sindicatos. Nesta tarefa, seria preciso observar os trabalhadores contratados em empresas do setor formal onde o vínculo está na ilegalidade, verificar os pequenos empreendimentos e negócios autônomos que empregam pessoas e o trabalho doméstico.
 
 
Texto: Guilherme Gonçalves