Na noite desta terça-feira (03/11), servidoras e servidores públicos municipais de Curitiba, organizados pelo SISMUC, aprovaram a proposta de reajuste de 4,58% apresentada pela Prefeitura na última quarta-feira (28). A decisão, no entanto, veio acompanhada de cobranças e da insatisfação da categoria com a ausência de ganho real e a falta de uma proposta para recuperar as perdas salariais acumuladas que, de março de 1999 e setembro de 2024, já somavam mais de 17%.
Durante a assembleia, a coordenadora-geral do SISMUC, Juliana Mildemberg, apresentou os pontos da negociação e informou os compromissos assumidos pela administração municipal. Entre eles, está o pagamento do piso salarial do magistério para os professores de educação infantil, mas de forma complementar, sem o pagamento aplicado em toda tabela, como reivindicado pela categoria. “A Prefeitura tem pagado o piso como teto, isso não é ilegal, mas é imoral. Isso achata a carreira dos profissionais e impõe ainda mais desvalorização para a categoria”, destacou.
A dirigente também informou que a Prefeitura fará a abertura do processo de crescimento horizontal nos próximos meses. O SISMUC segue lutando para que o procedimento seja universal, garantindo que todos os profissionais tenham suas carreiras valorizadas.
Durante a assembleia, as servidoras e os servidores reafirmaram que o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) precisa tirar as promessas feitas ao funcionalismo do discurso e transformá-las em medidas efetivas: “é necessário estabelecer prazos, garantir recursos e tirar promessas do papel, inclusive retomar a data-base para março”.
Mobilização continua na Câmara Municipal
No dia 28 de outubro, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) a Mensagem nº 72, que prevê reajuste linear de 4,58% aos servidores da ativa, aposentados e demais agentes públicos.
Diante da tramitação do projeto, a categoria aprovou a realização de um ato na Câmara para acompanhar a votação e cobrar dos vereadores o compromisso com as pautas do funcionalismo. Entre as reivindicações estão a volta da data-base para março, ganho real, vale-alimentação universal, vale-transporte para todos e aplicação do piso do magistério em toda a tabela salarial e da enfermagem. A mobilização também reforça a cobrança pelo cumprimento das promessas assumidas pelo Eduardo durante as negociações.
Marlene Aparecida Cazura, servidora da saúde e dirigente do SISMUC, chamou os colegas para se mobilizar durante a votação do projeto de lei na Câmara. “Nós precisamos acompanhar a votação e cobrar ganho real na nossa data-base, o vale-alimentação universal, vale-transporte para todos os servidores e piso salarial do magistério em toda tabela”, destacou.
Alessandra Oliveira, da direção do SISMUC, convocou a categoria para participar dos coletivos, acompanhando as pautas e organizando as lutas. “Precisamos chamar nossos colegas para participar, seja nas ruas, nas redes ou nos espaços dos Sindicato. Fica aqui a convocação para que todos participem, é só dessa forma que conquistamos”.
Memória, justiça e combate à violência contra meninas e mulheres
A assembleia também foi espaço de convocação para o Ato Rachel Maria Lobo Genofre, marcado para a próxima quinta-feira (5), às 18h, na Rodoferroviária de Curitiba. Rachel tinha apenas nove anos quando foi assassinada, em 2008. O crime permaneceu sem solução por mais de 11 anos, até que, em 2021, o responsável foi condenado a 50 anos de prisão.
Há 18 anos, o movimento feminista ocupa o local onde o corpo da menina foi encontrado para reivindicar que a Rodoferroviária receba o nome de Rachel Maria Lobo Genofre, como forma de preservar sua memória e reafirmar a luta contra a violência de gênero.
Niuceia de Oliveira, coordenadora do Coletivo Madalenas, grupo de mulheres do SISMUC, convocou servidoras e servidores a participarem do ato e ampliarem o chamado nos locais de trabalho. “Nós estamos requerendo que a Rodoferroviária tenha o nome dela, Rachel Maria Lobo Genofre. Existe uma expressão que diz: ‘Para que nunca se esqueça e para que nunca mais aconteça’. Nos espaços de trabalho e nos grupos, ajudem a chamar para este ato e participe. É uma forma de honrar a memória da Raquel e acolher essa mãe [Cristiane], que também é servidora”, destacou.
A mobilização é um chamado coletivo por memória, justiça e pelo direito de meninas e mulheres viverem se2m violência.







