Na manhã de ontem (29), o SISMUC esteve na Câmara Municipal para acompanhar a audiência de prestação de contas do 2º quadrimestre da gestão da saúde. Constatamos que, enquanto a Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS) recebe aportes volumosos para manter terceirizações e quarteirizações, servidores municipais da saúde enfrentam sobrecarga contínua por falta de pessoal efetivo no SUS Curitiba.
Somente no 2º quadrimestre deste ano, as despesas da FEAS foram de R$ 209,1 milhões. No 1º quadrimestre, foram R$ 202 milhões, conforme informado pela Secretaria de Saúde em maio. A verba poderia garantir a sustentabilidade de uma rede pública forte, mas acaba alimentando um modelo de contratação terceirizada.
Para Kéfera Mont Serrat, diretora do SISMUC e Auxiliar de Saúde Bucal na Prefeitura, precisamos ampliar a valorização das servidoras e servidores do quadro próprio. “Os grandes avanços tecnológicos, apresentados na audiência de hoje, como vacinas, novas especialidades na odontologia, equipamentos modernos…muitas vezes vem de recursos repassados pelo Governo Federal. Mas, isso não reflete a realidade sentida lá na ponta, pelos profissionais que todos os dias atendem a população.” Kéfera reforça ainda a preocupação do Sindicato em relação a ampliação da terceirização, quando a FEAS foi criada, a justificativa seria para desafogar as filas nas especialidades, mas, depois abriu-se as portas para que ela ganhasse cada vez mais força. “Temos UPAs e UBS que são 100% geridas pela Fundação”, completou.
A vereadora Giorgia Prates (PT) saudou a presença do SISMUC e das servidoras da saúde, reconhecendo que muitas vezes, as trabalhadoras entregam a própria saúde para fazer a saúde do município caminhar. Prates também quentionou à secretaria se há previsão de abertura de novo concurso para as áreas da saúde e quais medidas estão sendo adotadas para enfrentamento da sobrecarga e do adoecimento desses servidores. “A gente sabe que não existe cuidado multiprofissional de qualidade quando quem trabalha, quem cuida, está sem equipe suficiente, sem espaço adequado e, principalmente, sem valorização profissional e salarial.”
A secretária de saúde, Tatiane Filipak, afirmou que está atuando na recomposição dos quadros, analisando unidade por unidade, cidadão por cidadão e a necessidade da quantidade de profissionais para estruturar o pedido pelo concurso público, que deve ser repassado para estudo da Secretaria de Gestão de Pessoal e autorização da Secretaria Municipal de Finanças.
Combate à violência e assédio moral
O SISMUC tem recebido com cada vez mais frequência denúncias de trabalhadoras da saúde que sofreram agressões físicas durante o exercício de suas funções. Sempre que há ocorrências deste tipo, encaminhamos diretamente para a SMS tomar as devidas providências.
De acordo com Tatiane, a SMS também procura fortalecer a cultura da humanização dentro da rede de saúde, para combater a violência dentro dos ambientes de atendimento, bem como o assédio moral sofrido pela categoria, em resposta às reivindicações feitas pelo Sindicato. “Criamos o programa de desenvolvimento de lideranças para treinar todos os gestores da nossa rede. O que é ser um líder? Como eu devo ter uma conversa com o meu colega de trabalho? Porque é como eu digo, hoje eu estou aqui nessa função e amanhã eu vou estar com o meu estetoscópio trabalhando em qualquer unidade.”
Mesmo diante de um tema tão importante, menos da metade dos parlamentares estavam presentes na sessão plenária, contrastando com a seriedade dos problemas enfrentados diariamente por quem sustenta o atendimento na saúde.







