Vitor Puppi, “reizinho” das finanças de Curitiba, nega vale-alimentação, mas articula R$ 27,6 milhões para sua “guarda real”

No xadrez político de Curitiba, o orçamento não é um recurso público, é um tabuleiro de privilégios. Na abertura desta jogada, a figura de Vitor Puppi — o “reizinho” das finanças — assume o papel de mestre enxadrista. Enquanto age como o prefeito de fato, Puppi dita quais peças avançam e quais ficam imobilizadas no fundo do tabuleiro, sacrificando o bem-estar da maioria para proteger sua própria “guarda real”. A jogada mais recente é um movimento de proteção ao Rei: o projeto de lei nº 005.00100.2026. Ele não é um reajuste comum, mas uma “promoção de peça” exclusiva para apenas 104 trabalhadores. O custo? Um impacto de R$ 24,9 milhões anuais, que pode saltar para R$ 27,6 milhões até 2028 (confira aqui a projeção).

Essa movimentação do Secretário coloca em xeque a coerência da gestão municipal. Enquanto Puppi move suas peças com agilidade para privilegiar sua própria turma, ele trava o tabuleiro para o restante da cidade, alegando “falta de recursos” e “planejamento estratégico” para tirar do papel as promessas de campanha do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Ao priorizar apenas o seu círculo imediato com milhões de reais, o Secretário deixa pautas urgentes como o vale-alimentação, o fim do desconto de 14% nas aposentadorias e o crescimento vertical bloqueados. 

Na prática, Curitiba vive um jogo de castas. A valorização acontece apenas para quem está sentado à mesa de quem decide, enquanto quem sustenta o funcionamento real da saúde, educação, assistência social, administrativo, fiscalização, esporte e lazer, entre tantos outros trabalhadores fundamentais, permanece como peça de sacrifício, sem respostas e sem reposição digna.

Entenda o projeto
A proposta eleva vencimentos e cria uma nova gratificação para a categoria diretamente ligada ao núcleo que controla o caixa da cidade. Os números escancaram essa escolha política: a remuneração bruta mensal do grupo salta de R$ 2,1 milhões para R$ 2,7 milhões, um acréscimo imediato de R$ 637 mil por mês. No acumulado anual, como mencionado, os vencimentos sobem de R$ 19,6 milhões para R$ 24,9 milhões, uma diferença superior a R$ 5,3 milhões em relação ao cenário anterior.

Com a soma dos encargos patronais, o custo total anual da folha desse grupo cresce de R$ 24,6 milhões para R$ 30,7 milhões. Apenas em 2026, o impacto direto será de R$ 6,07 milhões, podendo alcançar R$ 12,4 milhões nos anos seguintes de forma progressiva. Nesse modelo de jogo, quem administra os recursos também define sua destinação e, não por acaso, essa destinação beneficia o próprio círculo de comando, contando com uma tramitação relâmpago na Câmara sob influência do grupo político que conduz o Executivo.

Histórico de sacrifícios
Este avanço rápido de uma “elite” orçamentária não é um erro de cálculo, mas uma estratégia de desvalorização das demais peças do serviço público. Em 2017, o chamado “Pacotaço” congelou planos de cargos e carreiras; posteriormente, em 2020, a Prefeitura extinguiu 32 cargos, atingindo 2.589 vagas de cozinheiras, polivalentes e auxiliares. Essas medidas desestruturaram trajetórias e consolidaram um modelo em que mais peças são retiradas do tabuleiro para a maioria, enquanto o controle e os recursos permanecem concentrados no topo da pirâmide. Ou seja, retiram-se as peças da base para concentrar o ouro no topo da pirâmide.

O resultado é um serviço público marcado por desigualdades internas agressivas, onde as propostas de interesse específico de Puppi percorrem o tabuleiro com total liberdade, enquanto as demandas coletivas que Eduardo Pimentel deveria cumprir seguem paralisadas por “falta de verba”. Para esses trabalhadores próximos ao centro de decisão, o reconhecimento é uma regra constante, o que contrasta drasticamente com o silêncio e o descaso dados às pautas urgentes do restante da categoria.

O xeque-mate
Para o SISMUC, o cenário é evidente: o problema em Curitiba não está na ausência de recursos, mas nas escolhas políticas que definem sua distribuição. Hoje, a cidade conta com cerca de R$ 4 bilhões em caixa, sendo que para este ano a extimativa é de arrecadar R$ 15,42 bilhões. São recursos públicos que não podem permanecer concentrados em uma única secretaria, muito menos servir a interesses restritos de um pequeno grupo. Esse dinheiro deve retornar à população por meio da valorização real de todos os servidores que fazem a engrenagem municipal girar.

É esse investimento que garante atendimento de qualidade na saúde, na educação, na assistencia social e em todos os setores que são direito do cidadão. No jogo real da política, não basta o Secretário acumular peças para benefício próprio; é preciso que o governo faça movimentos que garantam dignidade para quem faz a cidade acontecer todos os dias. O orçamento de Curitiba não precisa de um “reizinho” agindo em beneficio próprio, para manter privilégios para poucos, mas para garantir o presente e o futuro de todos os servidores e da população que depende do serviço público. Justiça social deve ser regra, e não a exceção para poucos.

Hora de agir
O projeto de privilégios do “Reizinho” está na Câmara Municipal. Enquanto os escolhidos dele podem ganhar R$ 25 milhões, o seu vale-alimentação e a valorização de toda a categoria seguem travados. A pressão agora é nos vereadores e no prefeito!

O que você deve fazer:
Vá ao Instagram e facebook de cada vereador/a e do prefeito. Comente em todos os posts: “Vote NÃO ao projeto 005.00100.2026! Valorização para TODOS AS/OS SERVIDORAS/ES, não apenas para a elite!”. Exija o fim do confisco de 14% e o reajuste imediato do vale-alimentação.

Nossa mensagem é direta: “Vereador/a, se votar a favor do privilégio de poucos, não terá o voto de muitos. O orçamento é da cidade, não da ‘guarda real’!”. As promessas foram feitas por Eduardo Pimentel, incluindo a valorização de todos os servidores. Como chefe do Executivo, cabe a ele decidir e garantir que isso se concretize. É hora de assumir esse papel e mostrar, na prática, quem governa Curitiba.

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