Na tarde da última quarta-feira, 25 de fevereiro, o SISMUC abriu as portas para o primeiro Coletivo das Aposentadas e dos Aposentados de 2026. O encontro, que tradicionalmente ocorre na segunda quarta-feira de cada mês, foi realizado excepcionalmente nesta quarta. Com forte participação, a atividade começou em clima de acolhimento, ao redor de um café da tarde que marcou o reencontro e reafirmou o compromisso de organização da categoria.
Entre os temas debatidos esteve o abaixo-assinado contra o confisco de 14% sobre as aposentadorias, construído em conjunto com o SISMMAC. A mobilização busca pressionar o Executivo municipal a cumprir a promessa de campanha de acabar com o desconto previdenciário ou ampliar o teto de isenção. Durante o coletivo, foi apresentada a proposta de construção de um seminário ou plenária conjunta com o Sindicato do Magistério, no mês de março, para definir estratégias de entrega do abaixo-assinado, reforçando que é de encaminhamento mesmo, com o objetivo de realizar a entrega até o final de março.
Também foi informado que, de 29 a 31 de maio, o SISMUC realizará seu 14º Congresso, em local ainda a ser definido. A instância é o maior espaço de deliberação da entidade e reunirá servidoras e servidores sindicalizados para definir os rumos políticos e organizativos do sindicato nos próximos anos. As aposentadas e os aposentados foram convidados a participar do processo. Quem desejar ser delegado ou delegada precisa estar presente no próximo coletivo, momento em que serão escolhidas as representações.
8M, história e protagonismo das servidoras
O mês de março, marcado pelo 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, também foi pauta central do encontro. Para aprofundar o debate sobre direitos, enfrentamentos e desafios históricos, o coletivo contou com a fala de Niuceia de Fátima Oliveira, coordenadora da Secretaria de Mulheres do SISMUC, e de Carmen Regina Ribeiro, a Carminha, socióloga e servidora pública municipal aposentada, sindicalizada ao SISMUC e membra da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Carminha é uma das fundadoras do Sindicato, desde a época em que a entidade ainda se chamava Associação dos Servidores Municipais de Curitiba (ASMUC).
Ao iniciar sua intervenção, Niuceia destacou a gravidade do cenário atual e a necessidade de manter o debate vivo. “A importância de trazer o tema sobre mulheres é porque é muito sério. Acompanhando a mídia, temos visto o quanto é grave a situação de violência contra a mulher.” Ela lembrou que o 8 de março foi, por muitos anos, associado a homenagens simbólicas, mas reforçou que sua origem está ligada à mobilização e à luta. “A gente conheceu o 8 de março com a florzinha na mesa, com abraços, com presentes motivados pelo apelo do comércio que lucra com esta ideia. Mas ele nasce no início do século XX como um dia de intensas mobilizações por igualdade de direitos e contra os diferentes tipos de violência.”
Carminha complementou com um resgate histórico das conquistas acumuladas ao longo das décadas. “A luta é longa e não é linear. Ela vai para frente, às vezes recua. Por isso, é importante conhecer a história para não desanimar.” Ela citou marcos como a conquista do voto feminino, as mobilizações durante a redemocratização nas décadas de 1970 e 1980, que influenciaram a Constituição de 1988, e a aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, como avanços fundamentais no enfrentamento à violência e na garantia de direitos. Carminha reforçou que igualdade não significa competição, mas equidade de direitos e oportunidades. “O feminismo não quer competir com os homens. Quer ser tratado com as mesmas oportunidades e os mesmos direitos.” E alertou que nenhuma conquista é permanente. “Nada está pronto e acabado. Tudo precisa ser conquistado e, depois, cuidado e defendido.”
Niuceia reforçou que, desde 1975, quando o 8 de março passou a ter reconhecimento internacional mais amplo, o Brasil se destaca nas lutas por direitos trabalhistas, igualdade e enfrentamento ao feminicídio. Para ela, o 8M transcende comemorações. “Ele é resistência ao conservadorismo, ao patriarcado e ao machismo. É a reafirmação de que a mulher precisa viver com dignidade, com trabalho digno, soberania e bem viver.”
Ao trazer o debate para a realidade do serviço público, Niuceia destacou o protagonismo das mulheres na estrutura da Prefeitura. “Hoje, cerca de 80% do funcionalismo municipal é composto por mulheres. Somos nós que estamos na saúde, na educação, na assistência social, na ponta do atendimento às famílias.” Ela afirmou que as servidoras são guardiãs do serviço público e da política pública que chega à população. “Essa realidade precisa ser valorizada. Se a maioria é mulher, também precisamos ocupar os espaços de poder, de chefia, de coordenação.”
Ao final, o coletivo reafirmou o compromisso com a participação nas marchas unificadas do 8M e nas articulações da Frente Feminista de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (FFC), espaço que reúne movimentos sociais e sindicais e no qual o SISMUC tem papel ativo na defesa dos direitos das mulheres e da classe trabalhadora. Como destacou Niuceia, “o que muda para a mulher muda para toda a sociedade.”
Nesse contexto de mobilização permanente, no dia 8 de março, domingo, o SISMUC se soma à Marcha das Mulheres Trabalhadoras, organizada pela FFC, com concentração a partir das 9 horas, na Praça Santos Andrade. Neste ano, a marcha ocorre sob o lema “Pela vida das mulheres, contra o imperialismo. Por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”, reforçando a defesa de direitos, de condições dignas de trabalho e da organização coletiva das mulheres.
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Violência contra a mulher é crime – Denuncie imediatamente
180 – Central de Atendimento à Mulher (Denúncia pode ser feita de modo anônimo e seguro)
181 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
153 – Guarda Municipal
(41) 3221-2701 – Casa da Mulher Brasileira de Curitiba
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