Problema antigo: infestação de pragas nos equipamentos de acolhimento da FAS segue sem solução

Mais um ano começa, mas os velhos problemas permanecem, sem que haja um planejamento efetivo da gestão municipal para solucioná-los. O Projeto Mãos Invisíveis, organização da sociedade civil que oferece atendimento à população em situação de rua, divulgou imagens de pessoas que utilizam os equipamentos de acolhimento da Fundação de Ação Social (FAS) e foram picadas por percevejos. “Algumas frequentam hotel social, outras a casa da mulher, outras, as casas de passagem. Todos são equipamentos de acolhimento para a população vulnerável”, escreveu a organização na sua rede social. 

Não basta anunciar nas redes sociais da Prefeitura ou do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) que a cidade possui vagas de acolhimento, capacitação e apoio social para a população vulnerável. O que leva dignidade às pessoas é um tratamento adequado, ambientes higienizados, com camas e roupas limpas, banheiros em condições de uso, alimentação regular e acompanhamento das equipes da Fundação. 

Historicamente, o SISMUC realiza denúncias sobre a infestação de pragas nas diferentes unidades da FAS que realizam o atendimento à população vulnerável, além de oficiar a Prefeitura de Curitiba para que as medidas necessárias sejam tomadas. Embora a informação oficial seja a de que a dedetização é feita nos locais, o problema continua e quem os frequenta — sejam os usuários ou os próprios servidores públicos, permanece sendo vítima de picadas que causam manchas, coceiras na pele ou até outras consequências mais graves à saúde.

José Pucci Neto, educador social e dirigente do SISMUC, questiona quais providências a Prefeitura irá tomar para solucionar de maneira concreta. “Em uma capital do país, isso é um problema a ser resolvido urgentemente, porque impacta na qualidade do atendimento à sua população.”

As servidoras e servidores que atuam em equipamentos da FAS encaminharam ao SISMUC algumas imagens das marcas que as picadas de percevejam causaram em quem frequenta os locais:

 

Vulnerabilidade social precisa ser resolvida com política de assistência social

“Quando eu digo que aqui tem trabalho sério, não é lacração. Tem ação de verdade e integrada com a PM e outras forças de segurança.” Foi o que publicou, recentemente, Eduardo Pimentel em sua rede social, com fotos de abordagens feitas com pessoas em situação de rua em Curitiba. A realidade é o que o recado do Prefeito quer passar é que a pobreza ou os motivos que levaram àquela pessoa a estar na rua deve ser encarado como um problema de segurança pública e não como resultado de desigualdades sociais profundas. 

Para além do discurso, que reforça o estigma sobre essas pessoas, Pimentel é um gestor público que perpertua a política higienista. Remover a população em situação de rua do “campo de visão” dos bairros mais centrais não resolve o problema. Vale sempre reforçar que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua aos abrigos urbanos. A decisão também veda o recolhimento forçado de bens e pertences desse público.

Uma política pública comprometida com a dignidade humana exige escuta, investimento consistente em assistência social, moradia, saúde e trabalho, além de equipes técnicas fortalecidas e articuladas com a rede do SUS e do SUAS. O caminho oposto, o da exposição midiática, da abordagem coercitiva e do discurso moralizante apenas reforça a criminalização da pobreza e empurra essas pessoas para ainda mais invisibilidade.