SISMUC fortalece a luta das servidoras nas Pré-Conferências de Políticas Públicas para as Mulheres

Com escuta sensível, afeto e força coletiva, as regionais de Curitiba se tornaram palco de diálogos potentes sobre os direitos das mulheres. Nos dias 20 e 21 de maio, quatro regionais da cidade receberam as Pré-Conferências de Políticas Públicas para as Mulheres — espaços preparatórios para a VI Conferência Municipal, marcada para os dias 27 e 28 de junho, no Centro Politécnico da UFPR. Presente no evento, o SISMUC reafirmou seu compromisso com a construção de políticas públicas baseadas nas vozes femininas e na diversidade de experiências das servidoras e da população. A atividade foi organizada por meio de uma articulação conjunta entre o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) — do qual o Sindicato faz parte como entidade representativa das servidoras municipais — e a Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial.

As pré-conferências reuniram servidoras públicas, lideranças comunitárias, representantes da sociedade civil, do Governo Municipal e dirigentes sindicais — muitas delas também integrantes do CMDM, formado por 40% de representantes governamentais e 60% da sociedade civil. Juntas, participaram de uma jornada coletiva de reflexão, escuta e construção de propostas. Em cada encontro, os debates foram guiados por sete eixos temáticos: territórios livres de violência; saúde integral de todas as mulheres; educação não sexista e cultura para igualdade; crise climática, soberania e segurança alimentar e nutricional; trabalho, igualdade e autonomia econômica; política integral de cuidados; e memórias e ancestralidade das mulheres.

A atuação do SISMUC foi fundamental não apenas na articulação das pré-conferências, mas também na defesa cotidiana das pautas das servidoras públicas. Edicleia Aparecida Farias, dirigente do SISMUC e conselheira do CMDM, ressalta a importância do protagonismo das mulheres trabalhadoras nos espaços de formulação de políticas. “Como SISMUC, estamos dentro do CMDM e atuamos na organização, mas principalmente na participação efetiva das discussões. Levamos a nossa bandeira, usamos o espaço para apresentar as demandas das servidoras. Temos o potencial de fazer ainda mais, como organizar uma conferência livre das mulheres servidoras. Isso é fundamental, pois, hoje, mais de 80% da força de trabalho do serviço público municipal é composta por mulheres, mas, infelizmente, elas seguem sub-representadas nos espaços de formulação de políticas públicas. As conferências são, por isso também, uma oportunidade para ampliar essa participação e garantir que as servidoras também sejam ouvidas”.

Para Niuceia de Oliveira, dirigente do SISMUC e também integrante do CMDM, é importante evidenciar a participação efetiva da sociedade civil na preparação das pré-conferências, juntamente com as representantes governamentais e principalmente com a execução dos trabalhos. “O comprometimento com a elaboração de textos, assim como a presença na condução dos eixos, mostra o valor do CMDM para agregar as políticas públicas que têm papel fundamental no direcionamento que as mulheres necessitam para enfrentar e superar os mais complexos desafios humanos e sociais, especialmente ao se considerar o recorte de trabalho e renda, a falta de moradia e as inúmeras questões que afetam pelo viés de raça e gênero. O compromisso de chegar até essas mulheres é o que nos move nessa representatividade enquanto frente feminista, movimentos sociais, sindicais e sociedade civil organizada, que exige que a rota política e econômica se volte para uma nova ordem social, onde sejam reparados os danos imensuráveis que as mulheres sofrem por serem mulheres.

De acordo com Niuceia, a escuta e a troca foram pilares transformadores das pré-conferências, que debateram os eixos centrais sob a mediação de mulheres que atuam como lideranças feministas, como Elza Maria Campos, da União Brasileira de Mulheres (UBM); Carolina Nadolny, do Sindicato do Judiciário (SINDJUS); e Nanci Stanki da Luz, Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero – OAB/PR, que palestraram sobre Democracia, Diversidade e Território para todas as mulheres. 

Essa dinâmica de diálogo e mediação foi especialmente significativa nos grupos temáticos, entre eles o que tratava da violência contra a mulher, no qual Niuceia participou diretamente. Ela integrou o grupo Territórios Livres de Violência, atuando na regional Portão/Fazendinha, junto com a CIC — duas áreas com altos índices de violência contra a mulher. “Ouvi relatos de mulheres acolhidas em casas de apoio, assim como profissionais que lidam com essas realidades. Foi intenso, com propostas fortes. A escuta, o afeto e a força coletiva nos guiaram”, compartilhou Niuceia.

Com emoção, Edicleia refletiu sobre a potência das Conferências. “Somos mais de 51% da população brasileira. E da outra metade, somos mães. Então, as leis, as políticas públicas, precisam vir ao nosso encontro. Precisam responder às nossas necessidades, das crianças, dos idosos, de toda a população diversa e plural que compõem o nosso território. Uma nação bem-sucedida é aquela pensada para as mulheres”, afirmou.

Ela também ressaltou que o processo de escuta nos encontros transcende o coletivo: foi também um reencontro consigo mesma. “O processo de escuta das histórias durante a conferência se cruza com a minha própria trajetória. São muitos relatos de luta, de dor, de resistência. Isso nos dá força. Senti muito afeto e sensibilidade nestes dias. Somos diversas e plurais, e nossas histórias se entrelaçam. Isso nos move”.


Propostas
As propostas que emergiram dos grupos de discussão revelam o quanto a escuta coletiva e o compartilhamento de vivências podem resultar em soluções concretas. Um dos temas que mais gerou consenso foi a necessidade de rever a escala de trabalho 6×1, que afeta especialmente mulheres trabalhadoras, muitas delas mães solos, sobrecarregadas com jornadas exaustivas que comprometem sua saúde, bem-estar e tempo com a família. “Essa é uma das propostas que se conecta diretamente com o eixo de políticas de cuidado”, destaca Edicleia.

Outra proposta que ganhou força foi a valorização das memórias e ancestralidades femininas. Os grupos defenderam a criação de espaços públicos que celebrem e fortaleçam as culturas negra e indígena — como feiras, praças, bosques, museus itinerantes — com ações que promovam geração de renda e reconhecimento histórico.


Rumo à VI Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres
Agora, todas as participantes das pré-conferências estão oficialmente inscritas como delegadas da VI Conferência Municipal. Isso significa que terão voz e voto na etapa seguinte, consolidando as propostas debatidas em seus territórios e levando adiante a construção de uma cidade mais justa para todas.

Com o tema “Democracia, Diversidade e Territórios para todas as mulheres”, a VI Conferência será realizada nos dias 27 e 28 de junho de 2025, no Centro Politécnico da UFPR, e reunirá representantes de diferentes regiões de Curitiba. O momento será decisivo para garantir que as políticas públicas levem em conta a realidade, os sonhos e as urgências de quem, todos os dias, sustenta a cidade com seu trabalho, sua resistência e seu cuidado.

“Agora nos preparamos para a Conferência Municipal, que contará com a presença da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, no dia 27. No sábado, dia 28, seguiremos com os trabalhos, incluindo a discussão dos eixos temáticos, a construção das propostas e a eleição das delegadas para a V Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres do Paraná, que ocorrerá em Foz do Iguaçu, entre os dias 5 e 7 de agosto. Essa etapa estadual contribuirá para a composição da delegação do Paraná na Conferência Nacional, durante os dias 16 a 19 de setembro de 2025. Com o tema “Democracia e Igualdade”, a Conferência Nacional reunirá mulheres de todo o país para debater e construir políticas públicas que assegurem os direitos e a participação política das mulheres”, finaliza Niuceia.

Indicação de leitura

Para aprofundar a compreensão sobre a violência contra as mulheres no Brasil, recomendamos a leitura das publicações do Atlas da Violência, produzidas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O material reúne dados atualizados e análises detalhadas que ajudam a contextualizar os desafios enfrentados e a orientar políticas públicas mais eficazes. As publicações estão disponíveis no site oficial: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/publicacoes.