A reunião sobre a pauta específica da Secretaria do Abastecimento (SMAB) teve foco nas condições dos equipamentos oferecidos aos servidores e melhorias na saúde física e mental do trabalhador. Um estudo sobre ergonomia e saúde do trabalhador deve ser realizado pelo comitê de ergonomia (Coergo) com a apresentação dos resultados em até 90 dias. O sindicato cobrou a implementação de visor frontal, ampliação das esteiras nos caixas e instalação de bip sonoro que apite quando o produto não for registrado. Além disso, as estrutura físicas dos armazéns, o mobiliário, a jornada de trabalho e o descritivo de função foram abordados. Os armazéns possuem pelo menos 450 servidores trabalhando.
Em condições de trabalho, o sindicato destacou que a procura pelos armazéns aumentou consideravelmente, limitando a capacidade de atendimento. Alguns armazéns, por exemplo, não possuem esteira rolante nos caixas para que o produto se direcione até o servidor. “Queremos a instalação e a manutenção das esteiras. A intensidade das compras é enorme pela população. Tem gente que passam dois, três carrinhos de compra e não dá pra ficar puxando o produto”, destaca Alessandra Oliveira, secretária de comunicação do Sismuc. Em três anos, o fluxo de compras nos armazéns saltou de R$ 60 para R$ 110 na média, informa a administração. Além da esteira, foi reivindicada a instalação de leitores digitais sonoros que devem avisar quando um produto não foi registrado e painel eletrônico que avise que há ‘caixa livre’, como ocorre nos armazéns do Boa Vista e Fazendinha. O mobiliário também deve ser revisto pelo Coergo. “Nós vamos fazer a avaliação e em 90 dias teremos a resposta onde a gente tem que agir de acordo com as prioridades”, destaca o doutor Paulo Coelho. A Prefeitura antecipou que o visor frontal deve ser instalado em curto prazo.
Outro ponto de preocupação dos trabalhadores é a estrutura física dos prédios. Atualmente, muitos armazéns não oferecem espaços de alimentação, vestiários e higiene para os servidores. “Levantamos que é necessária a ampliação de banheiros espaços para refeição do servidor”, relata Alessandra Oliveira. Nesse ponto, a administração municipal destacou que no Bairro Alto haverá construção de banheiros. Mesmo assim, há armazéns que não tem mais como se desenvolver: “Em espaços saturados, onde não há mais como crescer ou reformar, como será resolvido o problema, como no Terminal Santa Cândida?”, questionou o diretor do sindicato, Juliano Soares. A Superintendente de recursos humanos Lia Nara Paludo justificou que a tendência desses armazéns é serem retirados dos terminais. “Ocorreu assim no do Carmo, onde tivemos que retirá-lo do local. A ideia nossa é ampliar e adequar os armazéns e resolver os problemas pontualmente”, explica Paludo. O fluxo de atendimento a população cresceu de 50 mil em 2005 para 171 mil em 2011.
Jornada de trabalho e pausa
Com o crescimento do atendimento à população, os servidores que trabalham no caixa não conseguem fazer intervalo de cinco minutos a cada hora, provocando, muitas vezes, esforço repetitivo e afastamento por LTS. O Sismuc reivindicou que a Prefeitura estabeleça um sistema obrigatório para a pausa de cinco minutos. A Secretaria do Abastecimento alega que tem conhecimento do “acordo de cavaleiros” entre os trabalhadores e nega o item da pauta que trava os computadores a cada cinco minutos: “Nós temos que criar uma alternativa que atenda a comunidade sem interromper o atendimento”, contextualizou Maria de Fátima Azevedo, da Secretária de Abastecimento. Mas o sindicato reforça que não é papel da gestão dar jeitinho: “Nós vemos com preocupação esse acordo de cavaleiros, porque existe controle de caixa e programa de metas. Não é papel de a gestão pública dar jeitinho nessa pausa do trabalhador”, critica Alessandra Oliveira.
A solução encontrada é aguardar o levantamento do setor de ergonomia e, depois, definir regras para o intervalo. “É necessário que se faça o estudo para entender o ponto de vista físico e mental do caixa e que se estabeleça a pausa de cinco minutos do trabalhador, mesclando com o atendimento à população”, esclareceu o doutor Paulo Coelho, responsável pela saúde ocupacional. Isso deve ocorrer em até 90 dias. Pois, “do jeito que está o trabalhador fica no caixa, não faz pausa, e acaba ficando doente”, denuncia Moises Okahara, servidor d o Armazém Matriz.
Além da pausa de cinco minutos, o Sismuc e a Prefeitura definiram a ampliação do Programa de pausa para a qualidade de 15 minutos. O programa ‘Pausa’ existe em 21 dos 33 armazéns.
Capacitação e acesso a informação
O Sismuc quer que o acesso ao seu seja liberado nos armazéns. “Nós acreditamos que é direito do trabalhador saber informações tanto sobre seu sindicato como da prefeitura”, defende Eduardo Recker, diretor de formação do Sismuc. A Prefeitura alega que desconhece o bloqueio ao site do sindicato e que ele deve ser liberado pelo ICI. “Nós não fazemos restrição diferenciada ao site do Sismuc. Se existe restrição, é para preservar os dados da unidade”, reforça Paludo. “É um avanço que não haja restrições e se houver, que seja comunicado ao RH da prefeitura para corrigir o problema”, completa Juliano Soares, do Sismuc.
Descritivo de função
A Prefeitura alega que há debate na SMAB e em outras secretarias sobre a reformulação do descritivo de função. Estão sendo realizadas visitas nos equipamentos em que se discute com o servidor e com as chefias. O Sismuc solicitou prazo para que esses estudos sejam finalizados e a reformulação do decreto 119. A gestão informou que já faz algumas alterações e que o sindicato pode sugerir mudanças no descritivo de função para os recursos humanos. “Nós já revisamos a função do educador social, fazemos isso na guarda e gostaria de fazer isso no abastecimento”, solicita Alessandra Oliveira.
Reunião de equipe com coordenadores
O servidor Moisés Okahara pede que as reuniões sejam intensificadas. A Prefeitura disse que fez pesquisa de clima justamente para a melhoria das condições de trabalho. “O servidor pode cobrar da chefia para que essas reuniões aconteçam”, incentivou Maria de Fátima Azevedo, da Secretaria do Abastecimento. A frequência das reuniões deve ser definida por cada equipe. “Defendemos que pelos menos uma vez por mês ocorra a reunião”, reforçou Eduardo Recker.
Itens sem acordo
Não houve acordo entre gestão municipal e sindicato quanto o piso salarial, a redução da jornada para 30 horas e o dimensionamento: “Nós queremos o comparativo do remanejamento da secretária de educação com a do abastecimento para melhorar o deslocamento do trabalhador no abastecimento. O sistema de gestão funciona muito bem e pode ser repassado a outras secretarias”, compara Alessandra Oliveira.
Também não houve acordo quanto as remuneração variável, incorporação do PPQ e difícil provimento e a escolha das chefias através de eleição no local de trabalho.