Descaso de Ducci causa adiamento de 70% dos exames

Orientação da secretaria de postergar atendimento atinge até ex-unidade de saúde (Trindade) do prefeito

Cadeiras vazias e pacientes mandados para casa mesmo antes mesmo de realizar os exames. Esse tem sido o retrato todas as manhãs nas unidades de saúde de Curitiba há 33 dias. A orientação da secretaria de saúde tem sido a mesma: atender de oito a treze pacientes por dia. A média em período normal fica entre 40 a 60 atendimentos por paciente e coleta de 250 exames por unidade. Mas nem a US Trindade, que o médico pediatra Luciano Ducci atendia, foge a essa regra. No local, estão sendo atendidos 10 pacientes quando a capacidade é de quarenta. Hoje (sexta-feira), por exemplo, uma aposentada só conseguiu fazer coleta de sangue após a visita da reportagem do Sismuc e do excluídos. Ela havia remarcado o exame e já ia voltar pra casa sem atendimento.


O ‘remanejamento’ dos exames e a falta de equipamentos – como tubos de ensaio – têm se tornado rotina que os servidores públicos não têm conseguido evitar. “Os usuários estão sofrendo muito”, revela enfermeira que não quis ser identificada. Como o aposentado Mario V. Rosa. “Ele”, conta a servidora, “é hipertenso, aguarda o resultado do exame feito em 14 de dezembro, mas que não chegou em 3 de janeiro, como havia sido prometido”. 


Outros servidores revelaram que muitas coletas realizadas não têm tido resultado e que os trabalhadores têm que improvisar desculpas aos pacientes. Descaso que deveria ser investigado pelas autoridades. “A prefeitura já deixou 80 mil pacientes sem atendimento. Eu acredito que as autoridades devem intervir para solucionar esse problema e a melhor opção é a antecipação da mesa de negociação conosco”, propõe a farmacêutica Beatriz Patriota. 


Na pressão
Muitos medicamentos e exames só são feitos após pressão dos pacientes ou presença de equipe de reportagem. É o caso da aposentada Milervina Dias dos Santos, que não conseguia fazer coleta de sangue na unidade de saúde que o prefeito Luciano Ducci prestava serviço. “Eu vim semana passada para fazer o exame e tive que remarcar”, lembra Milervina.  Hoje, após insistir bastante, a paciente conseguiu fazer a coleta.


Situação semelhante vivida pela aposentada Olga Sell, de 70 anos. Ela tentava marcar consulta na US São Pedro há três meses para receber receita de um remédio controlado e de uso continuo para insônia. Com a presença dos excluídos das 30 horas e da imprensa tanto a receita do médico como o medicamento foram entregues em meia hora. “Eles ficam ligando para a população para não comparecer a unidade de saúde”, revela a senhora.