Na manhã desta terça-feira (07/04), a direção do SISMUC participou de uma reunião com o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Serginho do Posto, para tratar das pautas da categoria diante da greve geral que iniciará nesta quarta-feira (08/04). O encontro foi chamado pelo Legislativo em meio à crescente mobilização dos servidores.
Durante a reunião, o SISMUC apresentou as principais reivindicações e reforçou que há demandas urgentes que exigem resposta imediata da gestão municipal. Entre elas estão o direito ao vale-alimentação ainda em 2026 para toda a categoria, o aumento do número de vagas para o crescimento vertical nas carreiras, hoje limitado a 20%, e o fim do desconto previdenciário de 14% .
Sobre o vale-alimentação, o Sindicato criticou a fala da gestão, via lider do governo, de que pretende implantar apenas em 2027, o que foi prontamente rechaçado pela entidade. “O vale-alimentação não pode ficar para 2027. Estamos falando de trabalhadores que tiveram reajuste de apenas 5,17%, que perderam o direito, e continuam com dificuldade para garantir o básico, comida. É uma questão de prioridade”, afirmou a Juliana Mildemberg, coordenadora geral.
Já sobre o crescimento vertical, a direção sindical destacou que a ampliação do percentual é essencial para atender a categoria de forma mais ampla. “Se avançar no número de vagas para o crescimento vertical para cerca de 50%, atenderia de modo geral os servidores. Hoje são apenas 20%, o que é insuficiente diante da demanda”, destacou a direção.
No mesmo sentido, o SISMUC trouxe questionamentos sobre a condução do orçamento municipal. Segundo a entidade, há margem financeira para atender às demandas, citando declarações da própria administração sobre a saúde fiscal do município.
“A Prefeitura tem hoje um caixa que gira em torno de quase R$ 4 bilhões. Isso demonstra que há margem para negociar. O que falta é vontade política”, afirmou a diretora sindical, Alessandra Oliveira. E acrescentou: “Gestão responsável é fazer orçamento público voltado para quem executa o serviço. Investir no servidor é investir na população, é garantir qualidade no atendimento e condições dignas de trabalho”.
Dentro desse contexto, o Sindicato também criticou o que considera tratamento desigual entre categorias. “Há dificuldade para avançar em pautas gerais, mas vemos projetos que beneficiam carreiras específicas com impactos milionários. Isso gera uma percepção de desigualdade entre os servidores”, pontuou.
A direção do Sindicato enfatizou que as pautas não são recentes e vêm sendo discutidas há anos, sem avanços concretos. Para a entidade, o principal problema não é a ausência de diálogo, mas a falta de efetividade.
“Não são pautas novas. O diálogo já existe, mas não temos cronograma de execução. Não adianta mais protelar, queremos prazos para cumprimento das promessas”, afirmou a coordenadora do SISMUC, Juliana Mildemberg.
Outro ponto levantado foi o distanciamento da gestão municipal com a categoria ao longo dos últimos anos. “O último prefeito que recebeu o Sindicato foi Gustavo Fruet. Houve compromisso da atual gestão de retomar esse diálogo direto, mas até agora isso não se concretizou”, destacou Adriana Cláudia Kalckmann, diretora do Sindicato.
Em resposta às demandas, o líder do governo na Câmara, Serginho do Posto, afirmou que os pleitos serão levados à administração municipal e destacou a intenção de manter o diálogo aberto.
“Nós abrimos este diálogo com vocês, vamos estudar esses pleitos. Estamos tentando avançar dentro das possibilidades da gestão. É um ano atípico, mas queremos manter esse canal de diálogo aberto”, declarou. Serginho também ponderou sobre o momento da mobilização. “Talvez seja precoce uma greve neste momento, mas seguimos abertos ao diálogo e à construção de alternativas”, disse.
Diante desse cenário, o SISMUC reforçou que a greve geral está mantida para iniciar amanhã, quarta-feira (08/04). Para o Sindicato, a abertura de diálogo é importante, mas insuficiente sem medidas efetivas.
A entidade defende que as promessas feitas durante o período eleitoral e nas mesas de negociação precisam sair do discurso e se transformar em ações concretas. “A categoria quer negociação de verdade, com propostas e prazos. Não é mais possível esperar indefinidamente”, concluiu a direção.
Outras pautas
Além das pautas prioritárias, o Sindicato também chamou atenção para reivindicações históricas que seguem sem avanço. Entre elas estão a aplicação dos 33% de hora-atividade para professores, prevista em lei desde 2014, e a reestruturação da carreira dos auxiliares de serviços escolares, que ainda exige nível fundamental em Curitiba, ao contrário de outros municípios. Também foi destacada a necessidade de rever e qualificar as condições de trabalho dos profissionais da assistência social.


